* ter filhos é mais difícil pra mulher do que pro homem: é sim. Por melhor que seja o marido (e eu tenho o melhor marido do mundo), a carga mais pesada é nossa. A fatia mais azeda tá conosco. É a gente quem acorda pra dar de mamar, é nosso peito que amamenta e cai, é nosso corpinho que se arrebenta. Por outro lado, é conosco que o vínculo é, pelo o menos nos primeiros meses, maior. Talvez compense, como consolo. Mas em um ano e meio tudo muda, e aposto que ela vai falar “papai” antes...
* o corpinho volta ao que era antes: Deus ajude. Tenho fé. Até agora, só fé.
* dá pra criar filho sozinha, tipo produção independente: Tá santa, louca??? Nem a pau. A única maneira de fazer isso é tendo muita grana (pra se cercar de ajudantes) ou ficar devendo pedra pra mãe pro resto da vida. Impossível, não tem como fazer isso sem acumular uma dose grande de ressentimento, ou sem acabar por jogar na cara do filho uma hora ou outra, tipo “eu me matei pra te criar”. Fácil entender, nesse país besta que temos, o quanto de mãe amargurada que existe por aí, por conta dos homens felasdapóta que as largaram com as crianças.
* ser mãe é ter o coração fora do corpo: é a mais pura verdade. A gente fica com medo de tudo, pelo nosso bebê. Medo de vento, de frio, de calor, de mosquito, de amar demais, de amar de menos, de uma gripezinha. Uma esquizofrenia básica, um surtinho por dia.
* maternidade dá coragem: dá sim, toda a coragem do mundo, por mais contraditório que seja com o item anterior. Eu mato e morro pela Gui, e não apenas no sentido metafórico. Tenho certeza que adquiri a capacidade de matar, fisicamente, alguém que faça mal a ela. Descobri que tenho uma força e uma coragem de lutar por ela e pelo seu bem estar que nunca imaginava que podia ter.
* filho vira assunto único na vida de mãe: bão, acho que esse post diz tudo, não? Se bobear, tou falando dela até pro cobrador de ônibus.
* a gente fica sem tempo de fazer as coisas: No meu caso, não. Aprendi a valorizar o tempo livre, tou rendendo que é uma beleza. Exige organização e listagem imediata das prioridades: o que estou mais nessa hora? Com sono? Com sede? Fedida? Com prazo pra terminar? Com louça pra lavar? Uma vez feita essa lista imediata de prioridades, vou ticando o mais rápido que posso. Dá.
* coprofilia: ser mãe é se interessar, genuinamente, pelas necessidades fisiológicas do seu filho. O cocô da minha filha é um assunto importantíssimo pra mim, eu e Maguido podemos ficar horas discutindo isso, analisando forma, conteúdo, quantidade.
* quando se tem filho, surge o instinto materno/paterno: Balela, conversa mole. Isso não existe. O que chamam de instinto materno/paterno é o nome socialmente aceito pra tentativa e erro. Esse instinto nada mais é do que empirismo somado à experiência: quanto mais os dias passam, mais você conhece seu filho e mais aprende com ele sobre ele. A gente não sabe nada de pronto não, é preciso ser humilde e reconhecer essa incapacidade, aprendendo a cada dia. Achar que sabe tudo é a pior coisa, pra todos.
* só quem tem filho entende quem tem filho: uma verdade universal. A gente aprende a não julgar, é impressionante. Quando a gente vê criança fazendo birra ou tendo piti, o olhar é de compreensão e solidariedade, e não mais de repreensão.
* a gente aprende o sentido do amor incondicional: é a mais pura verdade. Acho que o objetivo de ter filhos, carmicamente falando, é passar por essa experiência. Só isso explica.
* ser mãe é ouvir palpites: é verdade. Parece que todo o mundo sabe criar seu filho melhor do que você. As pessoas acreditam, sinceramente, que podem dar pitacos na sua vida. Gente que não tem filhos acha que pode dar palpite, é impressionante. O pior é que a tentação de pitaquear na vida dos outros vem pra gente também. Ó o que eu tou fazendo agorinha mesmo...
* maternidade e culpa andam juntas: é sim, andam de mãozinha dada. Pessoalmente, sinto culpa quando amamento (porque não sei se ela tá mamando o suficiente), quando dou a mamadeira (porque não tou dando o peito), quando saio pra trabalhar, quando delego algumas funções. O jeito é respirar fundo, entoar o mantra e tocar o barco.
* depois que o bebê nasce, o cabelo cai demais: ó deus, vou ficar careca. Durante a gravidez, meu cabelo tava lindo, farto, brilhante. Agora tá caindo tudo, tou perdendo mais cabelo que a Benedita, minha gata. Todo o dia de manhã, a Maria (que cuida da Gui e da gente também) dá umas escovadas na Benê, pra diminuir um pouco a queda de pelos pela casa. Tou pensando em pedir pra ela me escovar também...
* a vida sexual muda: muda sim. Estamos com a vida sexual semi-ativa, hohoho, mas estamos colocando em prática os planos pra volta ao que era antes (ou pelo o menos, perto do que era antes). Acredito, sinceramente, que a qualidade da vida sexual do casal depende da postura do marido como pai. Eu me apaixonei pelo pai que Maguido se tornou, então minha vontade dele aumentou, porque tenho mais uma faceta do meu homem pra amar. Mas tenho certeza que, se Maguido não fosse como é, seríamos aqueles casais que transam a cada dois meses. Retomar a vida sexual exige, por parte da mulher, muita boa vontade e empenho. A coisa mais fácil do mundo é dizer “ai, hoje (insira aqui a expressão a seguir que parecer mais adequada): a) tou cansada; b) tou com sono; c) meu peito tá doendo; d) meu peito tá vazando; e) tou com cólica; f) tou com dor de cabeça, g) tou com dor nas costas; h) tou com dor no braço; i) tou com dor em tudo; j) tou sem saco; h) tou com câimbra”. Eu podia seguir com essa lista até amanhã. Maternidade judia da gente.
Maternidade – mitos e verdades (ou o post-desabafo do balanço de três meses)
Bão, após três meses, acredito que já dê pra fazer um balanço dos mitos e verdades relacionados à maternidade. Vamolá.
* amamentação é fácil e natural: não é porra nenhuma. Maguido fala que se fosse assim tão bom não tinha tanta propaganda. É verdade. Pra mim, foi uma experiência ao mesmo tempo linda,emocionante e absolutamente frustrante. Não tive leite suficiente, apesar da peitarama, o que prova que embalagem não é tudo. O problema é que só fomos descobrir a deficiência de lactação quando a Gui já tava com 45 dias, quando mudamos de pediatra. Nesse tempo, ela perdeu preciosos 45 dias de crescimento, era um chororô só, eu ficava de 2 a 3 horas com ela pendurada em mim a cada mamada. Depois da descoberta do problema, remédio e homeopatia ajudaram muito, mas não resolveram de todo. O pior é que a propaganda é tão forte e intensiva pra amamentarmos, que, quando não dá certo, a sensação de impotência e incapacidade é imensa. Me sentia imprestável por não conseguir amamentar minha filha a contento, especialmente quando via reportagens ou propagandas na tv. Convenhamos, a imagem da Luíza Tomé (assim que escreve?) com aqueles peitos gigantes e um bebê em cada um deles chegava a ser opressora. Foi só depois de muita auto-análise, muita conversa com Maguido e com a ajuda incomensurável das meninas do LV do Mothern é que consegui incorporar o mantra do Culpa não!!! e aceitar a mamadeira como complemento inevitável. Hoje, amamento de manhã, à noite e de madrugada, e o dia todo vai na mamadeira. Às vezes, as mamadas são complementadas com a mamadeira, porque tem dia que não tem leite mesmo. Tou mais tranqüila, a Gui tá crescendo a olhos vistos e dormindo muito bem. Modos que, se o seu bebê não mamar em 20 minutos e dormir, procure o pediatra. Não existe leite fraco, mas existe pouco leite.
* amamentar emagrece: pfffffffffffffffffffffffff. HAHAHAHAHAHAHAHA. Muito engraçado. Até pode ser que a produção de leite consuma calorias, mas ninguém fala da fome animal que dá quando estamos amamentando.
* a gente nunca mais dorme: pode ser verdadeiro, dependendo da criança. Com a Gui, no começo não dormia mesmo, por causa da ignorância acerca do problema com a produção de leite. Ficava com ela pendurada no peito das três às seis da manhã, todos os dias, pra dormir umas duas horinhas e depois voltar pras mamadas. A Gui tinha o maior piercing de língua do mundo: eu. Tava convicta que ser mãe era azedar no paraíso. Meu objetivo pessoal era tomar um banho por dia – se eu fizesse isso, tava feliz. Agora que resolvemos as mamadas, tá lindo. A bichinha dorme que é uma beleza, só acorda à noite pra uma mamadinha.
* maternidade muda tudo: muda mesmo. Nada mais é como antes, pro bem e pro mal. Mais pro bem do que pro mal.
* maternidade é um aprendizado, cada dia é uma coisa nova: é a mais pura verdade. Cada dia é uma descoberta, cada dia a gente fica mais familiarizada e íntima do bebezinho. E cada dia o nenê aprende algo, é um deslumbramento com a capacidade de aprendizado e com a absoluta determinação com a qual eles encaram a vida.
Tá rindo, interagindo, uma docinha, um presente. É a coisa mais deliciosa. Loira do olho azul, a mocinha:
É uma delícia, repito. Olhando pra trás, vejo que os três primeiros meses foram dose. É meio frustrante, porque ela interagia pouco, e chorava pra tudo (chorar era a única forma de expressão que ela sabia). Agora não, tá uma festa. Ela aprendeu a ranhetar, então ela chia antes de chorar. Tá acordando de bom humor, ri pra tudo, se abre toda, uma coisa encantadora.
A Ale deu um móbile pra ela, gigante, parece um disco voador, toca música e gira como um carrossel. Ela enlouquece, parece um besouro de barriga pra cima: mexe tudo, quer pegar, já entendeu a mecância da coisa e sabe qual bichinho que vai girar na ordem.
Começou a dormir no berço, se adaptou superbem, nem acredito. Adora aquele berço, é fofésimo de ver.
E cresceu: tá com 53cm e 4110g, as perninhas tão engrossando, o queixinho tá ficando duplo. E tem mais manias que tamanho. Pra dormir, tem que ser com dois paninhos. Não um, mas dois, dos pequenos. Ela fuça, mexe, cheira, se aperta com eles, acorda com um em cada mão. Até pode dispensar a chupeta, mas não dispensa os paninhos. E tem umas manias de estrelinha, quando começa com isso a gente chama ela de Ingrid Regina, a Diva (o nome dela é só Ingrid).
O duro tá sendo voltar a trabalhar. O sentimento é absolutamente contraditório. Ao mesmo tempo que é uma delícia voltar e ter minhas coisas pra fazer, é HORRÍVEL voltar e ter minhas coisas pra fazer sem ela por perto. Ontem, consegui ligar pra Má (a moça que cuida dela) só uma vez durante à tarde, embora tivesse pego no telefone 16 vezes. Aiai. Tomara que eu me acostume.
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito