O nome da ex-Olivier ficou Benedita. E por um motivo óbvio. Se ela estivesse na rua, estaria cheia de vermes e pulgas, subnutrida, carente e, por conta do cio, com uns cinco bacurizinhos pra alimentar. A típica representante da maioria da mulher brasileira: preta, pobre e favelada, o slogan da Benedita da Silva.
Salomé e Benedita, uma dupla de duas gatas.
Aliás, e só pra constar, fuck all of the people que nos encheram o saco por causa das gatas e da nenê. A coexistência é a mais pacífica do mundo, elas compreenderam que a Gui é nosso filhote e cuidam dela. Quando ela chora, a Benê é a primeira a vir ver, e a preocupação das duas com as cólicas é simplesmente comovente. A gente tem que afastar a nenê dos perigos, e isso inclui gente chata.
antes de mais nada, obrigada, pra toooodos, pelos comentários. Dá pra imaginar que não tive tempo de responder, mas li (lemos, eu e Maguido) todos eles, obrigada, vocês são uns doces.
a Gui tá uma fofa. Ela é insuportavelmente linda, pra onde vamos forma uma chacrinha em volta de nós pra ver a criaturinha. Nossa menina nasceu pra ser zuzesso.
a Gui é um cisquinho de gente. Nasceu com 37 semanas, com 2100g e 42cm, saiu do hospital com 1850. Tá mamando bastante, modos que tá crescendo. Tive pressão alta a partir da metade da gravidez (DHEG - Doença Hipertensiva Específica da Gravidez), o que impediu que ela crescesse como deveria. Tive que fazer repouso (hoohoho, até parece que consegui) e controlar a pressão diariamente no hospital. Fui pra cesárea com 17x12 de pressão, um absurdo. O importante é que ela nasceu bem, saudável, não precisou ficar em UTI nem nada, ficou conosco direto desde o primeiro dia. Agora é crescer fora de mim, coisa que ela já ta fazendo.
Sabe aquela história de que filho muda a vida da gente? É verdade. A Gui tem 14 dias, e parece que nos conhecemos há 14 mil anos. Não sabemos mais como era antes dela, impressionante. Tou absolutamente apaixonada por uma loirinha mignon que é meu tipinho. Tem outra mulher na vida de Maguido e tou achando ótimo.
Ter um nenê é como uma experiência com ácido. Parece uma alucinação. Coisa de doido.
E sim, cólica sucks.
Cheguei à conclusão de que instinto materno é o nome que se dá pro empirismo da mãe desesperada. Que instinto materno, que nada. É tentativa e erro, adivinhação pura. Esses bichinhos não vêm com manual. Meu celular, que é muito mais simples de operar, vem com um detalhado manual de instruções, indicando onde estão todos os botõezinhos. A nenê não vem nem mesmo com um folderzinho de dicas, nem mesmo um quick start básico. Se vira, minha nêga.
E por falar em manual, fica fácil entender o motivo pelo qual as pessoas mais velhas se recusam a ler manual de instruções. Se eles lidaram com um nenê e se deram bem, pra que manual? Que mané manual?
Impossível ter a Gui sem Maguido. Maguido superou toda e qualquer expectativa. Troca fralda, acalma nós duas, dá banho. Até agora não dei banho na Gui, e só fui trocar a primeira fralda após uma semana. É função de Maguido. É maravilhoso amar o pai que ele é, ter mais um de Maguido pra amar.
Eu sou uma mãe insuportável, hohoho. Sara Bronstein, a mãe judia que me habita, é uma bendelha. Adivinha se a Gui não tá de casaquinho.
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito