Então eu comprei um troço tipo plástico espumado, específico pra forrar armário de cozinha. Coisa mais fofinha, cheia de poás vermelhos e florzinhas também vermelhas. Bem lindinho.
E a Adriana ontem arrumou tudo bonitinho pra mim, limpou todos os armários, recortou o plastiquinho, ficou uma casa de campo.
Só que a bonita aqui ainda não se acostumou. Eu abro a porta do armário pra pegar copo e me assusto com aquelas bolinhas vermelhas, fico achando que tem um monte de formiga vermelha no armário. Eu tenho problemas.
Eu não. Eu sou uma fraca. Raquítica. Debilitada. Mas não resisti. Ele veio trabalhar comigo hoje, numa sacolinha, que já não posso mais andar com ele na rua. Mas tá aqui, comigo. No meu pé.
ontem fiz drenagem linfática. Deus, que delícia. Meus sapatos tão até folgados, minhas costas voltaram, a massagista é um anjo que caiu na terra pra salvar minha lombar.
hoje tá quente pra caraio.
comi bolachinha amanteigada recheada de goiabada, muita goiabada, junto com uma xícara de café fortíssimo. A felicidade está nas pequenas coisas. Especialmente nas pequenas bolachas amanteigadas recheadas de goiabada, muita goiabada.
a Ingrid não gosta de café. Ela se arrevorta comigo quando tomo, e nesse momento sou apenas uma hospedeira. A Kath disse que isso de nenê não deixar a gente tomar café é contra a convenção de Genebra.
eu amo ver meu escritório bombando. Adoro esse agito.
meus gatos estão carentes, depois de um fim de semana prolongado de cafunés e mimos e colos. O Olivier quase não nos deixou dormir hoje, ronronando na nossa orelha.
eu tou me sentindo apaixonada por tudo. Como é bom isso, como é bom.
A Cam e a Fal falaram sobre medos, e disseram que têm vários.
Eu não tenho mais tantos medos. Não mais por mim, digo. Meus medos são pelos outros: pela felicidade do meu Maguido, pela minha nenê, pelas pessoas que amo. Tenho poucos medos que são apenas meus.
Mas tem um, que não passa: medo de falar dormindo. Muito medo. Meu cérebro tem segredos que prefiro que fiquem com ele.
Minha obstetra me proibiu de usar salto alto. Disse que eu tenho que comprar saltos baixos, que é perigoso, que posso cair, yadda yadda yadda.
Falei pra Maguido que isso era um luxo, que agora eu tinha que comprar sapatos novos por ordens médicas.
Tava até procurando sapatos baixinhos, olhando sapatilhas, até experimentando eu tava. Mas aí, eu achei aquele sapato. Aquele. Lindo. Bico fino, salto agulha altíssimo, vários tipos de couro, em vários tons de bege e marrom. É meu agora, claro, armazenado na caixa, num lugar especial da minha sapateira.
Então grávida tem enjôos. Eu enjoei bastante nas 11 primeiras semanas, dramin todo o dia, mas depois passou. Nunca tive mais nada. Até a hora que viajamos pra São Paulo de carro. Caraio.
No começo da viagem, a Fer dirigindo, o Luiz do lado, e eu atrás, que era mais espaçoso. Dali a pouco, já na BR, a boca começou a encher de água e veio aquela vertigem. Não teve jeito.
Eu falei: "gente, vou abrir um pouco a janela, que eu tou enjoadinha". E a Fer: "Tati, você tá enjoada?" E eu: "guéeeeerrlllffff !!!!".
Ó a precisão na resposta. Nada bonito. Nada. Eu tinha tomado Nescau antes de saírmos de casa, então aquele troço espalhou por tudo. Fiquei mortificada de vergonha. Aquela baixaria de procurar posto, se lavar na pia, um saco. Achamos uma farmácia e compramos talco de nenê, pra disfarçar o cheiro. Quando chegamos em São Paulo, o carro tava com cheiro de nenê em fim de dia: cheiro de leite azedo com talco. Blég. Em compensação o carro tá um brinco, depois da lavagem especial que o moço do posto fez. E ainda bem que tava frio e nublado.
Na hora eu queria sinceramente desaparecer. Mas depois virou piada, claro. Na volta, viemos de avião, e ganhei saquinhos de enjôo do Luiz e da Fer, um de cada um.
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito