Gatinhos também trazem magia e encantamento para seu dia a dia.
Comprei um peso de porta em formato de gato. É um gato grande azul, sentado, com um boá branco em volta do pescoço. Super gay, modos que dei o nome de Clóvis Bornay pra ele. Só que meus gatos não foram muito com a cara dele, e toda ora o pobrezinho era espancado, seviciado, mordido, arranhado, arrastado. Uma vez, o Olivier catou ele pela orelha, enfiou embaixo do sovaquinho e saiu, faceiríssimo, arrastando o infeliz para atrás da porta do nosso quarto. E todo o dia uma pedalada na orelha do pobre, que o Olivier não podia ver o coitado sentado.
E fora as surras agendadas. Salomé montada nele, mordendo o pescoço e se valendo da técnica do Coelho Tambor: agarra a parte de cima com as patinhas dianteiras e começa a dar chutes ininterruptos, até alguma coisa rasgar. Enquanto isso, Olivier sentado do lado, olhando, e dando uma eventual patada - igual a chefe mafioso olhando os capangas espancarem um escolhido.
O resultado não podia ser outro. O pobre do Clóvis, que era de tecido liso, virou um gato angorá, por conta dos fios repuxados. Um dos olhos foi arrancado pela Salomé (vou fazer um tapa olho pra ele). O rabo tá torto. O Clóvis perdeu toda a dignidade, tá esbagaçado, uma bicha velha - o nome dele nunca foi tão apropriado.
Verifiquei esses dias a maldade suprema: de tanto morderem, a cabeça começou a ser arrancada. Um bom pedaço da costura que une a cabeça ao corpo se foi, mastigada pelos dois bandidinhos.
Sabem na história do Harry Potter, que tem o fantasma do Nick Quase-sem-Cabeça? Então. Nós temos Clóvis, o Gato-Quase-sem-Cabeça.
Quem tem gatos certamente conhece esse estranho fenômeno chamado poltercat.
Do nada, o vaso de plantas aparece revirado. Subitamente, apenas um dos vários galhos da pimenteira está se mexendo. Você está cochilando e ouve um plaaananannanambluft de algo caindo. Você vai dormir e encontra dois carocinhos fazendo volume embaixo do edredon. Você dorme e acorda com um peso peludo e com patas no seu peito. Os farelos de pão que ficaram no seu prato depois do café da manhã desaparecem misteriosamente. Você vai na sapateira e encontra vários pares soltos no chão. Você está vendo televisão e vê dois rastros cinzas indefinidos correndo enlouquecidamente.
Eu não acredito em gatos, mas que eles existem, existem.
Foi ontem. Frio do caralho, delicioso. Almoço com babai, babãe e IRBÃAAAAAAA amada, que tava aqui de passagem. Tarde com Maguido e gatos, todo o mundo enroscado no edredon. Cochilo com pernas no colo de Maguido. Empanzinamento. Nenê crescendo na pancinha. Mais soninho. Conversa gostosa. A vida simples é a mais perfeita.
Quero fazer um curso de scrapbook. Quero cortar o cabelo. Quero bordar coisinhas pro nenê. Quero massagem nos pés. Quero cafuné. Quero passar a tarde com os gatinhos no colo. Quero fazer bolinho cheiroso pra esperar Maguido. Quero ficar em casa, no sofá com Maguido, envolvida no nosso silêncio pacificador e amornador de coração. Quero passar a tarde vendo bobagens do People&Arts na tv. Quero que esfrie, pra ficar embrulhada no edredon. Quero tirar um cochilo. Quero fazer as unhas. Quero um dia de sossego. Quero poder voltar a tomar café, que o nenê não deixa. Quero que me cuidem.
A melhor cara de sono do mundo é a da Salomé, quando acorda. Um olho semi aberto, o outro fechado, a cara de fastio e o miado mudo que dá quando olha pra mim. Maguido diz que somos muito parecidas...
Ontem, fiz uma panelada de ensopadinho de patinho (a.k.a lagarto) com batatas. Ficou delicioso, delicioso, comemos muito. Ridiculamente fácil de fazer, e aqueceu o coração. Isso é comidinha de vó...
Tava usando a minha calcinha que tem VIP escrito atrás. Juro que passei o dia com vontade de vestir a calcinha ao contrário, pro VIP ficar na frente...
Tava vendo na Fal: "Outra conhecida que, grávida, mandou os gatinhos pra Zoonoses. Eu me assombro, eu me assombro. Que gente é essa, meu deus? É uma mistura nada atraente de mau-caratismo com ignorância. Amigo novo já devia vir com questionário preenchido, que é pra gente não se decepcionar. Pelo menos, não se decepcionar demais."
Deus, que absurdo. Absurdo, absurdo, inominável. Dar animaizinhos de estimação porque se está grávida é uma indecência, uma aberração, coisa de quem não tem alma.
Pra mim, é a mesma coisa que dar o filho mais velho porque se está esperando o segundo. Caraio.
Ninguém mais perigoso prum bebezinho que outro ser humano: o irmãozinho mais velho traz gripe, sujeira, puxa o cabelo, cospe na boca do irmãozinho, enche de beijos melequentos, rola no chão, mama da mesma mamadeira por ciúme, fuça na fralda suja. É mais fácil pegar pereba do irmãozinho mais velho do que do animalzinho, vacinado e que obedece a comandos simples, como não entrar no quarto.
Se o gatinho quer entrar no quarto e você não concorda, é só fechar a porta que ele sossega. O gatinho não vai se jogar no chão gritando, o cãozinho não vai ficar uivando na porta. Faça isso com o irmãozinho mais velho: você conhecerá a fúria dos deuses, e ainda será tachada de desumana.
Acho que esse povo que dá os bichinhos é que deveria ir pra Zoonozes. Pra ser abatido a tiros.
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito