A foto é do muro ao lado do ponto de ônibus, perto de casa, hoje de manhã. É uma flor-matinho (chamo assim as plantinhas que são mato mas dão flores fofas) e essa vegetação toda sai de uma frestinha do muro.
Eu amo a vida que sai da fresta de muros e calçadas, o lugar mais improvável pra se encontrar uma flor linda dessas. Acho tão significativo. É a delicada bordoada matinal que a vida me dá, pra me lembrar de chiar menos.
Ó sim. Isso é uma bota e uma saia de lã. Hoje, na hora do almoço.
Tava explicando pra Fal que a estação das chuvas em Curitiba é numa época bem específica. Começa no dia 19 de janeiro e vai até o dia 18 de janeiro do ano seguinte. Não tem erro.
No café da manhã, tv ligada e começa o programa da Ana Maria Braga. A mulher começa a apresentar raças de cachorrinhos e diz que é legal, e talz, e que é bom pra criança, tal e coisa.
Até que ela solta a ótima: "e o bom é que dura, viu? um cachorro dura uns doze, treze anos, e se bem tratado vai até dezoito".
Como assim, Bial? Desde quando cachorros e animaizinhos "duram"? Bichinho vive, caraio.
Tava pensando esses dias e concluí que poucas coisas no mundo demonstram mais intimidade do que ficar de pé dado com seu/sua parceiro/a.
Ficar de pé dado com o outro presume intimidade absoluta. Pressupõe que você conhece exatamente o corpo do outro e sabe a posição em que o encaixe é mais confortável (o que só é possível por tentativa e erro). Mais ainda, pé é uma parte do corpo em relação a qual poucos se sentem à vontade. Expor o pé assim, e mais ainda, encostá-lo no pé do outro, acariciar o pé alheio com o seu, brincar com os dedinhos, implica que os pudores foram superados.
Acho que ficar de pé dado é mais obsceno do que beijar na boca.
Agora que passou a bagunça toda de casamento e mudança e viagem e trabalho braçal, tou voltando à rotina.
Tou morrendo de saudade de vocês todos, ainda não visitei as pessoas nos seus blogs. Li todos os comentários, mais ainda não consegui respondê-los (e infelizmente, não posso prometer isso pra agora...).
Mas vou começar a botar ordem na casa. Assim que dar um jeito nessa papelada que tá em cima da mesa. Amo vocês.
Tiramos uns dias de férias na praia e, quando voltamos, na semana passada, metemos a mão na massa e arrumamos nosso laRRR cheio de amoRRR.
Pintamos e texturizamos as paredes, e, agora que vi que as fotinhas funcionam, vou tirar umas pra vocês terem uma idéia. Ficou líiiiiindo. Fizemos com nossas póprias mões o silviço todo, e ficou sensacional. Pintamos a sala com tons de laranja, com uma parede texturizada em branco e laranja (e glaze dourado, que vocês me conhecem...). O quarto, fizemos em palha e textura menta. O corredor, com textura branca e azul muito claro, meio lilás. Ficou muito, muito legal. Tou imensamente orgulhosa de nós mesmos.
Mas teve seu preço. Fiquei cheia de restos de textura encruadas nas unhas, porque, a certa altura do campeonato, tava trabalhando descalça. Então, por mais cuidado que eu tivesse, volta e meia pingava massa no chão e eu pisava em cima. Na boa, uma das mais estranhas sensações é pisar em pingos de textura. Faz gosh. É muito esquisito.
E no sábado, pra me recompensar, passei o dia no salão. Novo formato, novo sabor. Pintei o cabelo, fiz mechas, fiz escova temporária. Fiz os pés e as mãos, que delícia ter pés de mocinha de novo. A coitada da manicure ficou duas horas e quinze minutos cuidando de mim.
Dei trabalho pras pessoas, hohoho. Foram quatro horas de paparico. Juro que quando acabou, pensei que o Netinho estaria na porta do salão, com flores e motorista, aplausos e presentes.
E fiquei loirinha:
(A fotinha é fresca, acabou de ser tirada. Tou amando isso de celular com fotas)
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito