Posso assegurar que é delicioso. A única coisa chata é que a gente descobre que elfos domésticos são, realmente, coisas só do Harry Potter.
Existem coisas que a gente sabe que sempre existiram numa casa. Aquele tipo de coisa que tá lá, e a gente vai usando, como se viesse junto com o lar, assim como as paredes. O primeiro exemplo é o sal. Nossa primeira janta foi bem assim: escolhemos o que iríamos comer, vimos o tipo de massinha que queríamos, compramos os ingredientes. Na hora de fazer, cadê o sal? Quase cozinhei o capeleti com caldo de galinha.
Outra coisa é farinha. Farinha sempre existiu numa casa. E bacia. Quem é que faz bolo sem bacia? Nós: fizemos na travessa mesmo. Leite também sempre existiu. A gente descobre que tem um monte de coisas que são de uso corriqueiro, mas que nem nos apercebemos da existência.
E os malditos elfos domésticos que desapareceram. Esses dias, cheguei em casa, cansaaaaaaada, depois de uma tarde estafante, Marido tinha ido apitar jogo, abri a geladeira e tá-dáh! o pote de requeijão tinha virado. Dois terços do pote tinham caído dentro da nossa geladeira, aquelas estalagtites de requeijão nas gradinhas, formando a pocinha na última prateleira. Deu vontade de chorar.
Mas, tirando isso, e só isso, o resto é tudo delicioso. O dia tem uma ansiedade gostosa da espera pra hora de ir pra casa, fazer jantinha ou pedir alguma coisa pra comer, ficar à toa no sofá, ***** muito, dormir abraçado, acordar junto, respirar no mesmo tempo. Saber que o homem que eu amo tá ali, pertinho da mão.
E tou animada em saber que hoje vamos ver nossa máquina de lavar roupas, o que nos torna uma unidade marital autônoma. E nossa elfa doméstica começa na semana que vem, hohoho. A vida é, sim, deliciosa.
E eu nem sei o que digo mais. Tá tudo tão vivo e intenso dentro de mim, que é difícil falar assim. Só sei que foi lindo. Uma delícia sentir o amor das pessoas, esse carinho todo, todo mundo desejando tudo de bom pra gente, abraços, e mais carinho.
Saímos fugidos pro nosso laRRR cheio de amoRRR. No caminho, Marido disse que precisaríamos de um saca-rolhas, então não tivémos dúvidas. Paramos no mercado, pra comprá-lo. Ah, levamos um pote de sorvete também. Foi legal a cara das pessoas: elas olhavam em volta e ficavam procurando a câmera da pegadinha do faustão, hohoho. A cara da moça do caixa foi ótema. Ela nos perguntou onde estávamos indo lindos daquele jeito, e respodemos que acabáramos de casar. Delícia. Ela disse que nunca mais esqueceria de nós, a fofa.
Chegamos no laRRR cheio de amoRRR, e eu tava com dor de cabeça por causa dos coisiquinhos no cabelo. Aquela gramparada tava me dando nos nelvos. Então, tomei a única coisa que tinha disponível: um tandrilax. Daí vocês podem ver como eu não entendo das coisas. Sou essa coisa inocente, não sei que tipo de substância orna com qual. Tandrilax com cava espanhola, e voilá, eu me auto apliquei um boa noite cinderela. Foi lindo, um momento Marylin Monroe. Ainda bem que a mistura levou quarenta minutos pra fazer efeito. Acordei babando duas horas depois, e não me orgulho disso.
Então, se dá pra resumir alguma coisa, é isso: casem com quem vocês amam, façam a festa, andem a milha extra e façam do seu jeito. Abracem todo mundo, evitem cerimoniais que separam os noivos dos convidados, curtam a festa, não misturem analgésicos com bebida alcoólica (aiai), aproveitem e aproveitem.
A felicidade de casar com a pessoa certa é indescritível.
O Marido já contou a versão dele pro casório. A minha não difere muito, então vou focar nos meus detalhes, que a maior parte já tá muito bem contada.
A primeira coisa é que, realmente, ninguém dorme na véspera do casamento. Na realidade, eu mesma já não durmo mais sem Marido do lado. Triste, não? Trinta anos na cara, formada, ganhando o próprio sustento, mas só sei dormir com Marido do lado. Triste nada, é bão demais. Aconteceu que apaguei na cama às onze da noite, e acordei dez pras cinco da manhã, sentindo a cama fria. É duro dormir sozinha depois de praticamente uma semana seguida dormindo ao lado de quem se ama. Rolei na cama até seis e meia, quando cochilei de novo.
Então, uma das melhores coisas foi ter casado pela manhã. A gente acorda e, pronto!, já é hora de casar. Acordei às sete da manhã, tomei banho e café, vesti meu roupão novo cor de cenoura, e sete e meia chegou a cabeleireira. Um dia que começa com peruagem só pode ser um dia legal.
Me arrumei na sala, e nove e meia tava pronta, enfeitadíssima, com flores no cabelo, feliz feliz feliiiiiiiiz. Carlinha veio pra fazer the make up story, e minha irmã também tava com a câmera. Fotos, fotos e fotos, peruagem, gatos assustados. Sustinho com o padrinho doente que foi substituído emergencialmente pelo Gustavo. Bagunça na casa toda. Mãe e pai chorando emocionados. Barulho de secador. Borboletas na barriga.
E chegou onze horas. Eu tava calmíssima, até a hora que cheguei na igreja. Daí, meu coração começou a bater disparado, gosto metálico na boca, queria entrar correndo na igreja. Quando entramos na igreja, finalmente, não vi mais ninguém, só o Ricardo. E foi tudo lindo, daquele jeito que ele contou, amei amei.
Saímos buzinando o carro pra recepção, e a coisa mais doce foi estarmos livres do cerimonial, podendo sentir todo o carinho das pessoas. Fomos abraçados por todos, no estacionamento mesmo. Fila pra abraçar os noivos, que delícia! Uma menininha veio do nada, de outra parte do restaurante, e me agarrou. A mãe dela, correndo atrás e constrangida: "desculpa, é que ela adorou você, achou você linda, ela pode te tocar?". Gente, isso não tem preço.
Não, ainda não estou com tempo sobrando. Mas estou com um pouco mais de tempo livre. Assim, embora ainda existam 3 prazos em cima da minha mesa, me olhando com cara de pidões, vou contar um pouco do que tenho pra contar. Peraí.
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito