Hoje, pra variar, tou atoladinha de prazos. Ao mesmo tempo, tinha uma audiência no meio da tarde, que inviabilizaria o término de uma petição que teria que ser protocolada ainda hoje, até as cinco da tarde.
Então, pedi pra Dani, outra advogada, ir no meu lugar. O problema é que hoje é dia de casual friday, e só eu vim mais vestida pra audiência. Como eu e a Dani temos mais ou menos a mesma estrutura física (mesma altura, quadris estreitos, peitões), fizemos a coisa mais óbvia: trocamos de roupa.
Ficou muito bom, com exceção de um detalhe: eu tou hoje de sutiã vermelho. Então, a cousa mais fiâna e chiâque do mundo: eu, de camisa regata branca e sutiên vermeio.
Hoje faltam exatamente 30 dias pro casamento. E é tudo tão estranho e divertido ao mesmo tempo.
O que mais tem me chamado a atenção nesses dias é a sensação de ausência de pertencimento à casa que sempre foi minha. Sempre morei com meus pais e, entre tapas e beijos, tocamos juntos o barco até agora. Mas, independentemente das brigas e acertos, sempre me senti em casa, sempre me senti no direito de defender meu espaço dentro dessa casa.
Só que não é mais assim. Há uns dois ou três meses, comecei a me sentir claramente deslocada dentro da casa que, agora, sei que é só dos meus pais. Me sinto uma invasora, sabem? É uma sensação de que agora sou só uma hóspede, e fico extremamente contrangida ao abrir a porta da geladeira, por exemplo. É muito estranho. Olho pra minha cama, e não a sinto mais como minha. Olho minhas coisas, e parece que elas estão ocupando um espaço indevido. Olho pra mim mesma escarrapachada no sofá e não deixo de me auto-censurar, como se isso não fosse comportamento de visita na casa dos outros.
Ao mesmo tempo, mesmo sem o nosso laRRR cheio de amoRRR já disponível (o apartamento desocupa em alguns dias), parece que esse lARR já é nosso. Parece que os outros é que tão ocupando indevidamente um espaço que é só nosso.
É muito estranho. Já estive numa fase de limbo emocional, onde me sentia saindo de uma casca que não era a minha, pra assumir, finalmente, quem eu sou e como sou, doi-la a quem doi-la. Agora, tou na fase de limbo físico mesmo. Tou saindo de um casulo no qual sempre vivi, pra ir pro nosso laRRR cheio de amoRRR e lá ser borboleta.
Aqui em curitba (mas também deve ser em âmbito nacional) tá passando uma propaganda da Avon, de um perfume chamado Surrender.
Então tem uma mocinha que fica provocando e fugindo do mocinho, até que no final ela cede e a voz feminina, em off, fala o nome do perfume, com uma voz sexy: "Surrender".
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito