Infelizmente, é como eu disse. São três coisas que vêm da Argentina: tango, alfajor e frente fria.
Saco. Não me molhei, mas meus cabelos estão engraçados. É horrível quando a única palavra que define seus cabelos é engraçados. Dias como hoje me fazem pensar serissimamente em alisamento japonês.
da ida, da volta, e do caminho entre esses dois pontos
Na maioria das vezes, a gente só enxerga o que se passou depois que a coisa toda passa. Ou, pelo o menos, quando está tão perto do fim, que é possível olhar pra trás e ver, senão o quadro completo, pelo o menos o desenho geral.
É justamente o que está acontecendo comigo nesse momento.
No começo desse ano, uma série de eventos (que não irei detalhar), envolvendo terceira pessoa, que reproduziram situação idêntica à vivida anteriormente com minha mãe, me fizeram reagir violentamente e romper, definitivamente, com o modelo de figura materna que existia dentro de mim.
Nunca tinha feito isso antes, assim, tão por inciativa própria, e apesar da imensa dor envolvida no processo, morro de orgulho por ter optado por mim mesma e por minhas escolhas, não importando o preço - especialmente quando o preço foi tão baixo perto da imensa gratificação devolvida. Por conta disso, fiquei órfã, emocionalmente falando, pois o rompimento foi com um padrão de praticamente 30 anos.
Juntamente com isso, minha vó adoeceu. Foram dois meses do mais puro e requintado inferno na terra, sem dormir, sem relaxar, andando na ponta dos pés em cima de uma lâmina. Em síntese, uma viagem a um lugar muito, muito escuro e horroroso. O matriarcado da minha família estava morrendo, junto com todos os meus padrões.
Desse modo, foi inevitável o afastamento de tudo o que representa o feminino. Eu tinha que, mesmo sem saber direito o que estava fazendo, me afastar de todos os modelos de maternidade, pra encontrar o meu próprio modelo.
No meio disso tudo, a dança foi junto. Depois de quatro anos seguidos de dança do ventre, me nutrindo do grande útero que é a dança e as meninas da dança, tudo tão feminino e maternal, acabei me afastando porque, inconscientemente, precisava realmente do distanciamento, inclusive, desse lado bom do feminino. Todos os modelos tinham que ser revistos, embora eu não tivesse a menor idéia do que estava fazendo. Minha intuição dizia pra eu me entocar, e eu obedeci. Claro, evidente, que com a doença da minha vó tudo ficou mais complicado, mas ainda assim.
Não por outro motivo, desde janeiro deixei de ser colorida. Sempre fui colorida, sempre usei cores e bijoux e maquiagem, nunca tive pudores de usar strass durante o dia, e sempre ouvi de outros a expressão "isso é tão Tati!" pra coisas que são lindas e, de algum modo, exóticas. Mas, desde o começo do ano, as cores predominantes são preto, branco e cinza, pouca bijoux e maquiagem mais apagadinha. Junte a isso as férias da minha depiladora, e veja a Bonga-chic em que me transformei.
Num certo momento, achei que fosse desapego. Achei que estivesse deixando de dar valor às coisas aparentemente fúteis da vida. Não era isso. Era simplesmente luto. E o luto, como diz o Márcio, não é colorido.
Só que, nesse período, o modelo do feminino estava sendo reformulado. Vi a Kath e a Alix e o relacionamento lindo que é esse, reestruturei minha relação com minha mãe, observei o feminino no alheio. Tudo sem saber direito o que estava fazendo.
Ao mesmo tempo, vi o masculino na minha vida, especialmente com Namorado. Sempre fiquei fascinada comparando o meu rosa com o azul dele: minhas mãos de menina perto das dele, de jogador de basquete; meus pés 36 e meus sapatos tão delicados e femininos junto do pé 42 de esportista que ele tem; meu perfume floral com o perfume de homem dele; eu tão braquinha e macia, e ele tão adoravelmente grande e coxudo; minha tatuagem nos pés e as cicatrizes dele. Esse contraste sempre deixou muito claro como eu sou tão menina, tão mulherzinha, perfeita pra fazer par com aquele homem todo.
Então, o resgate do feminino começou a acontecer. Devagarinho, fui me encontrando de novo. Com a fase final da doença da minha vó, o padrão antigo foi morrendo junto, e o novo foi surgindo. Vi e fiz coisas nesse processo da doença que nunca imaginei que um dia pudesse fazer. Vi que, além de ser mulher, tenho uma força interna que nem sei de onde vem, que possibilitou o renascimento da minha relação com minha mãe e comigo mesma, e que, mesmo sendo assim, tão mulherzinha, fui macho pra cacete quando foi necessário.
No meio disso tudo, o planejamento do nosso casamento no fim do ano. A junção oficial do masculino e do feminino, e as conseqüências disso tudo. Serei a mulher do meu lar, e isso é adoravelmente assustador. Com o tempo, serei a raiz feminina dos meus descendentes, e a consciência da dimensão disso é realmente de tirar o fôlego. So exciting, e, ao mesmo tempo, o frio delicioso na barriga.
E, finalmente, sábado passado, fui ao chá de panela da Camila. Ver as meninas da dança reunidas, embora não todas elas, e tocar de novo no nosso feminino, trouxe à tona a completa noção do tamanho da fome e da sede que estou sentindo desde que me afastei de tudo. Percebi que meu feminino encaixa, sim, na beleza e na alegria da dança, de onde precisei me afastar pra enxergar como ela é preciosa, necessária, nutritiva e acolhedora. Percebi que meu feminino não é amargo, mas é doce doce doce, e é exatamente assim, acolhedor. Percebi o tamanho da saudade e de como minha alma está doente.
Nesse momento, tou aqui no escritório, ouvindo música árabe, com a bolsa das coisas da dança atrás de mim, contando os minutos pra sair voando despirocada pra academia, como criança no primeiro dia de aula. E, como boa filha, tou voltando pra minha mãe - esse sim o meu modelo verdadeiro.
Então desde terça-feria passada tá quentinho, gostoso. Todos os dias de perna de fora e sandálias, delícia delícia delícia.
Mas, como sempre digo, têm três coisas da Argentina que todo o mundo conhece: tango, alfajor e frente fria. Hoje tá nubladinho, tomara que seja só susto.
Ouquei, a Preta Gil me conquistou. Tava tão carentezinha de programa trash de alto nível, mas a vida é possível depois da ausência da Kássia Frango.
No último programa da Preta gil, nesse sábado, vimos que a coisa tá realmente feia. Adivinhem quais eram os convidados? Nem vou fazer suspense: Margareth Menezes e Maria Alcinda. Quase, mas quase mesmo, queimamos o fusível do riso. Demais de bom.
Namorado já contou da nossa experiência com a Luciana Mello, que virou copeira involuntária por um dia. No programa de sábado, a Preta conseguiu ofender a todos os possíveis convidados, com uma só pergunta pra Margareth: "qual parte do seu corpo você acha que ainda tem jeito?".
Olhem só o tamanho do veja bem. Com essa pergunta, presume-se que tudo tá esbagaçado e indaga-se o que a pessao acha que ainda tem jeito. E, como é pergunta que poderia ser feita pra qualquer um (pois era sorteada da tal da caixa preta), qualquer convidado era potencialmente ofendível. Meu Deus.
É muita crasse e elegânça num só programa. Não dá pra perder, hohoho.
Não importam o que digam, ter um braço forte e uma mão amiga é fundamental pra vida ser mais leve. Na quinta passada, babai foi internado pra fazer ressecção na próstata. É muito hospital em muito pouco tempo pra minha cabeça, é isso o que acho.
Só que dessa vez foi diferente. Namorado do lado, junto, pra dar apoio moral, sempre. É impressionante como a vida fica mais levável nessas horas. Mas chega de hospital.
E nesse fim de semana, dormimos de pé dado, cheiros misturados, sono profundo profundo. É tudo de bom nessa vida. Você pode ter certeza que achou o cara da sua vida quando dormir junto é programa. Tou nova, recarregada, colorida de novo. Depois de meses usando preto, branco e cinza, tou de azul e verde, com bijoux de strass.
A Alix tá cada dia mais fofa. A hora que ela me chama de dinda, acho que vou ter um troço.
Ontem, ensinei ela a fazer weeeeeeeeeeee, erguendo os bracinhos. Ela aprendeu rápido. Mas não consegue falar weeeeeeeeeeee, então sai eeeieieieeeieeeeeeee.
E essa coisa fofa vai fazer um aninho. Deus, como o tempo passa.
sobre genéricos - ou já que não tem tu, vai tu mesmo
Depois que o programa da minha übber ídola, Kássia Frango, passou pra TV Gazeta e aqui em Curitiba não tem TV Gazeta, fiquei órfã de programa trash.
Mas agora encontramos o substituto à altura. Vou até criar comunidade no yogurt pra ela. É a Preta Gil, com seu óootemo programa Caixa Preta. Mais detalhes? Vão aqui, e vejam a descrição que Namorado fez do último que nós vimos.
Se você é daqueles que adora filmes como "a firma", "o júri", "questão de honra", etc., aqui vão algumas explicações do porquê no Brasil não há produção cinematográfica explorando temas judiciais (tribunal, julgamento, advogados, etc.)
1. O filme levaria 8 horas até esgotar todas as instâncias, recursos, embargos, apelações e agravos.
2. Ninguém acreditaria no Tony Ramos vestido de juiz, com aquela peruca de cachinhos brancos, batendo com um martelinho na mesa e gritando ordem no Tribunal! Ordem no Tribunal!
3. A cada 15 minutos de filme o juiz seria promovido, sairia de férias ou desistiria da carreira, e seria substituído por outro (dessa vez o Tarcísio Meira de peruca...).
4. A cada 30 minutos o Judiciário inteiro entraria em greve, liderado pelo Lima Duarte fazendo papel de presidente de alguma Associação de Magistrados.
5. Ney Latorraca ou Marco Nanini fazendo papel de Promotor de Justiça seria algo inverossímel.
6. Regina Duarte de testemunha de homicídio dizendo "estou com medo, estou com muito medo", já não surtiria o efeito dramático exigido pelo filme.
7 . Toda a discussão do processo giraria em torno da falta de uma guia de custas ou do significado de uma vírgula numa alínea de um parágrafo de um artigo do Código Penal.
8 . As alegações dos advogados seriam recheadas de expressões do tipo "outrossim, destarte, encômio, prolegômeno, nobres causídicos, insignes catecúmenos, ilustres membros desta casa do saber jurídico", etc.
9 . Os juízes dormiriam ou conversariam entre si durante as sustentações orais.
10 . E ao final, depois de 8 horas de palavrório inútil, o bandido seria inocentado em um Tribunal de Brasília e ainda entraria com uma ação de danos morais contra os seus acusadores...
Ouvir ABBA às dez e meia da manhã, em pleno expediente, melhora o humor de qualquer um. Estamos em duas na sala, cantando dancing queen com toda a carga dramática que a música merece.
Obrigada, obrigada, obrigada e mais obrigada ainda. Todo o carinho chegou a mim e a minha família, podem ter certeza. Estamos todos administrando as coisas, mas estamos todos bem. Muito cansados, mas bem.
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito