Meio de feriado em Curitiba. Tá chovendo tanto, mas tanto, mas taaanto... São oito e trinta e cinco da manhã, e as luzes da rua estão todas acesas. Seria perfeito, se eu não estivesse no escritório. Inveja mortal de dois gatos.
Então, na sexta feira passada, eu comprei um determinado produto de uma determinada empresa, que veio meio esquisito e rançoso. Liguei pro serviço de atendimento ao consumidor e com toda a educação do mundo, que sou moça fina, expliquei o que tinha ocorrido. A mocinha que atendeu explicou que era um problema de armazenagem, coisa e tal, pediu desculpas e anotou meus dados, dizendo que era pra eu descartar o produto que eles iriam encaminhar outro. Anrãm, pensei eu, e esqueci o assunto.
Surpreendentemente, na quarta feira chegou, via sedex, uma caixinha com não um, mas três dos produtos, lindinhos, fresquinhos e deliciosos. E, melhor ainda, presente dos presentes, embrulhados em um metro - eu disse um metro - de papel bolha. Essa foi a melhor parte.
Já disse que adoro o código de defesa do consumidor?
Eu e Namorado temos sido perseguidos por freak movies ou freak stuff na televisão. Estamos assistindo inocentemente algum programa, quando começa algum filme bizarro ou programa surreal. Mas tão bizarro e surreal, que vira situação-acidente-de-carro, não conseguimos tirar os olhos. A média tem sido de um freak movie por semana, mas acho que cumprimos a cota de um mês inteiro nesses últimos dias.
Na semana passada, logo depois do almoço, sentadinhos no sofá, fomos surpreendidos por um programa chamado "Banzai", no Multishow, que consistia em fazer apostas sobre coisas surreais. Por exemplo, qual cachorro ia fazer xixi primeiro, qual das cinco garotas tinha peitos falsos, e assim por diante. Tudo com um grito de "Banzai!!!" entre um quadro e outro.
E já viram o realitu show da Anne Nicole Smith? Bizarro. Bi-zar-ro. Passa em algum canal da TVA, e é inacreditável. Ela tá imensa de gorda, completamente sem loção. A cena mais marcante pra mim, foi ela numa sex-shop, olhando abecedada pra um vibrador modelo mega-plus, gritando que queria um desses. How classy.
E o filme que vimos no domingo? Réquiem para um sonho. É um filme que começa bem ruim, mas depois piora bastante. Se passar em seguida o programa The Osbournes, é a melhor campanha anti-drogas que poderia existir.
Tenho refletido muito sobre as máscaras que vestimos em nossos relacionamentos afetivos. Comecei a pensar nisso desde que li, como sub-titulo de um livro, algo assim: "e se a pergunta correta não for 'por que é que não conseguimos ser aquilo que gostaríamos de ser', mas sim 'por que é que não conseguimos aceitar aquilo que realmente somos'?" (acho que é isso, depois dou o update com a frase certa).
Uma vez, li que todos nós aprendemos a nos fantasiar perante o outro, a passar uma imagem daquilo que gostaríamos que o outro pensasse de nós. Essa imagem pode significar simplesmente o disfarce de algumas características que consideramos inadequadas, ou ainda a transformação total em outra pessoa, um alter ego que represente aquilo que gostaríamos de ser, mas não somos.
Pra essa transformação, vestimos a máscara do profissional megacompetente, da vítima, do sedutor, do guerreiro, do palhaço, da criança. Isso só pra citar alguns exemplos. Eu, por exemplo, nos meus relacionamentos afetivos, sempre vestia a máscara da boa-menina-perfeitinha-e-obediente.
O grande problema reside em, justamente, manter essa máscara. Dependendo da distância entre a máscara e a realidade daquilo que somos, o gasto de energia é tão grande e tão absurdo, que os efeitos colaterais se tornam dramáticos. Nosso corpo responde, se entortando, ou adoecendo, ou engordando, ou emagrecendo excessivamente, ou não nos deixando dormir, ou nos deixando deprimidos. O excessivo gasto de energia na manutenção de uma máscara (às vezes, de várias máscaras) drena a energia que deveria ser empregada pra realização das nossas aspirações mais profundas, ou, dependendo do grau, até mesmo para a realização das mais simples atividades diárias.
O mais curioso é o grande paradoxo: usar máscaras facilita a vida no começo, mas torna tudo insustentável com o passar do tempo. Por outro lado, apresentar-se de cara lavada pode espantar, porque mostramos as manchas e rugas; contudo, por sermos fiéis a nós mesmos, podemos manter relacionamentos saudáveis, sem ficarmos sufocados no meio do caminho.
Colocar a máscara é muito, mas muito fácil. Num primeiro momento, o uso da máscara permite um certo distanciamento emocional da coisa toda. Permite que um pedaço de nós não se envolva, apenas aprecie o movimento, enquanto observamos o que acontece, dando-nos tempo pra avaliar o potencial do relacionamento. O problema surge assim que constatamos a viabilidade desse relacionamento e queremos tirar a máscara. Dependendo do tipo da máscara e da distorção que ela causa, é tarde demais... O outro já se acostumou com o que viu, e acaba que a farsa é mantida, até que a situação se torna tão desgastante que o fio que une as pessoas se rompe.
E insistimos em nos iludir achando que o outro não percebe a máscara que usamos. Percebe sim. Essa percepção pode ser clara, claríssima, como quando vemos aquelas máscaras de papelão de carnaval. Mas também pode ser sutil, como maquiagem de efeito especial de cinema: o outro sabe que tem algo vagamente errado naquilo tudo, algo que não encaixa, que não está muito bem colocado. E essa vaga inquietude acorda algum instinto, fazendo com que o outro desconfie e deixe de acreditar, levando a um afastamento emocional bastante grande. Cada um no seu canto, atuando em seus papéis, mas sem colocar a alma no que fazem.
Por outro lado, apresentar-se de cara lavada é um grande desafio. Romper com o padrão de máscara é tão difícil, que sem ela nos sentimos nus e resfriados, sem saber o que fazer. Acabamos tropeçando em nós mesmos, não nos reconhecendo no espelho, sem saber o que fazer com os braços. Ser honesto consigo mesmo é o maior desafio que alguém pode topar, porque exige 100% de presença naquele momento específico. Obriga a pessoa a viver o aqui e o agora, e não o lá e o então. E não é neeem um pouco fácil estar consciente de todos os seus atos, de todas as pintas do rosto, da real cor do cabelo, daqueles pêlos no buço e daquela cicatriz no meio da testa, que ficava tão bem disfarçada antes.
Só que a vida sem máscaras é inacreditavelmente gratificante. É inevitável usar minha experiência como exemplo disso. Não tenho mais tanta vergonha desse meu lado sombreado, não tenho mais vergonha de admitir que estou com raiva, ou magoada, ou que assim não quero. Não tenho mais medo de mim mesma quando me vejo no espelho, não me agrido mais deixando de levar em consideração o que eu realmente quero. Não me sinto mais constrangida por estar feliz, não me sinto estranha por me orgulhar do que faço.
E cada vez que quero colocar máscaras novamente, seja por fuga ou por hábito, meu corpo reage, deixando doente algum pedaço de mim. A minha dor de garganta desses dias não foi por acaso: estou lidando com minha raiva e tristeza acumuladas, olhando pra ela de frente. Mas, como não tenho como expressá-la da maneira mais primitiva, gritando e esperneando, meu corpo reage como se eu tivesse feito tudo isso.
Ainda uso sombra e rímel nos olhos. Mas não uso mais máscaras.
Hoje de manhã, levei uma cantada direta de uma mulher. Ela estava passeando com os cachorros, parou, me olhou de cima a baixo e soltou um "mas que tesão!". Uia.
Não sou homofóbica, longe disso. Convivo muito bem com as opções sexuais alheias. Já levei até passada de mão de uma mulher, e uma vez ganhei beijo da boca de outra. Mas foi estranho. Não é minha praia, mesmo.
Como já disse uma vez, as mulheres têm o que eu tenho mas não têm o que eu quero.
Hoje de manhã, enquanto aguardava o horário da minha consulta, tava lendo uma revista. Então, tinha uma notinha sobre um novo programa pra celular, que a pessoa baixava da internet. Com ele, aparecia um desenho de um gatinho no visor do celular, que ficava de olhinhos fechados se o celular não estivesse em operação. Se o celular estivesse no vibracall, assim que tocasse, o gatinho abria os olhos.
Até aí, tudo tranquilo. Mas, sem mais nem menos, na maior naturalidade, vinha uma frase parecida com isso: "quem quiser garantir maior higiene, existem dispositivos para serem encaixados na parte inferior do aparelho", e dava o endereço pra dois lugares na internet que vendiam bilaus genéricos pra encaixar no celular. Eu li três vezes até acreditar que era aquilo mesmo que eu tava vendo.
Ou gód. Acho que já vi de quase um tudo nessa vida.
Sempre me espanto como é bacana ter esse blog. Como já tinha dito há muito tempo, esse bloguinho foi a primeira coisa que fiz pra mim mesma, pra eu ser o centrinho das atenções, pra ser meu pequeno palco. Aqui sou euzinha mesma, não existe alter ego, e o nível de auto censura é muito baixo. What you see is what you get, mesmo. No fim das contas, acabou que eu descobri um mooonte de coisas.
A primeira delas é que percebi como coordeno melhor os pensamentos quando escrevo sobre eles. Nunca tive o hábito de fazer diariozinho, ou coisa parecida. Escrever sobre o que sinto - às vezes de forma tão escancarada, escarafunchando dores e dividindo alegrias e emoções - acaba sendo um excelente exercício de auto conhecimento. Eu pego o sentimento, olho bem pra ele, cheiro e fungo, sinto o gosto, e escrevo o que acho. Não imaginei que conseguiria fazer isso. Aliás, não imaginei que podia gostar de fazer isso, especialmente quando se trata de entrar em contato com alguns sentimentos tão doloridos.
Além disso, várias das pessoas que me visitam são amigos e conhecidos. O mais legal é ver o retorno dessas pessoas. Quando encontro com elas, por acaso, na rua ou no shopping, vejo que elas acompanham minha vida pelo blog, torcem por mim, como se fosse novelinha. É muito divertido. As meninas da dança, que tenho visto muito pouco, me encontram e perguntam como vai o Namorado, como estão os preparativos pro casório, e tudo isso sem que tenhamos nos visto nas últimas semanas.
E fico emocionada de ver como alguns textos tocam as pessoas, e fazem com que elas reflitam sobre elas mesmas e sobre seus próprios momentos. A Fabi me contou que pegou meu texto do projeto arquitetônico e fez a versão dela pro namorado. Isso me tocou de um jeito tão lindo, que acho que nem soube dizer pra ela o quanto eu fiquei emocionada com isso. E quando vejo amigos meus comentando sobre coisas que escrevi, achando legal, ou falando sua própria opinião, me sinto assim tãaao importante...
Fora os amigos que fiz pela rede. Pessoas que nunca vi, mas sempre amei, gentes que nem vou começar a listar, senão corre o risco de esquecer de alguém. E pessoas que já vi e amo mais ainda, como a Dani e o Edilson. (Update: COMO PUDE deixar de citar a Carlinha e o Alexandre??? COMO PUDE???). E supresinhas de pessoas que me acham no messenger e entram em contato (hoje ganhei um emoticon de bilau, da Fal, hohoho. Tou rindo sozinha até agora por causa disso). E tudo assim, começando despretensiosamente, virando essa rede tão bacana.
Adoro esse carinho todo que recebo, seja nos comentários, seja quando as pessoas me encontram. E pretendo que a coisa toda continue assim. No dia 13 de maio, o bloguinho completou um lindo aninho de vida, e já teve mais de 30 mil acessos. Isso é visita pra caramba.
E tem mais novidadinhas por aí. Hohoho. Assim que sair, eu aviso e dou o link...
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito