No meu primeiro emprego, no primeiro escritório de advocacia que trabalhei, levei muito tempo pra tomar a decisão de sair, de ir embora dali, pra preservar minha dignidade e sanidade mental. E levei mais tempo ainda entre a tomada da decisão (janeiro) e a efetiva saída (novembro).
O ponto todo foi o apego excessivo às minhas coisas, ou às coisas que achava serem minhas. Às teses que havia desenvolvido, aos amigos que tinha feito, à estrutura toda que ajudei a montar e que me tomou tanto tempo, tantos anos, tantas noites de sono e tanta vida pessoal deixada de lado. O bom e velho leilão de dólar (é uma derivação da teoria dos jogos do John Nash, uma hora dessas eu conto melhor o que é).
Só quando finalmente me desapeguei, é que pude me ver livre do antigo escritório, pude sair de lá sem carregar comigo o fardo das coisas que tinha construído e que, curiosamente, estavam me sufocando e tirando a minha alegria com as pequenas coisas. O que eu havia construído estava me matando, e assumir isso pra mim mesma e jogar a toalha foi, sem dúvida, a decisão mais difícil que já tomei.
Eu me perguntava "e os meus prazos? e as minhas teses? e as minhas coisas? e o meu cargo?". Foi somente no momento em que consegui responder "fiquem com eles, eu não quero mais" com sinceridade, é que pude sair. Eu nem sequer fiz cópia pra mim, larguei tudo mesmo.
Curiosamente, todas as minhas teses e meus textos e minhas coisas voltaram pra mim nesse momento. Todas elas.
Acho que só quando a gente se desapega das coisas é que elas se tornam realmente nossas... Vou pensar melhor sobre isso.
Vou mudar o corte e a cor do cabelo. Voltarei a ser loira, dentro de poucos dias.
Ou iéis, eu gosto muito de mim mesma loira. O engraçado é que as pessoas, efetivamente, falam mais devagar com quem é loira, é sério. Mas vai ser divertido. Pelo o menos, não corro o risco de não entender o que possam me dizer...
E, como nesse ano pretendo mudar de nome, já avisei Namorado que não teremos problemas quando resolvermos fugir pro Paraguai.
constrangimento. Aquilo que você sente quando seu gato fareja a região da cintura do seu namorado e, imediatamente, olha pra você. Isso tudo na frente da sua mãe.
Vida nova. Tou mudando de emprego, desta vez vai ser muito, muito, muito bacana. Começo semana que vem. Sinto que saí da sala de espera da vida, que acabaram de chamar minha senha e que agora vai. O sofá verde tá cada dia mais real. Que Deus me abençôe, me proteja, me oriente e continue me mandando toda essa luz.
Sabem o que é mais luxento? Meu nome foi o primeiro a ser cogitado pra ocupar a vaga, antes mesmo da indicação, porque, segundo a fonte, eu sou “altamente conceituada pelos advogados que lidam com direito bancário”. Quando fui indicada, meu nome já tinha sido escolhido. Esse é um daqueles momentos em que a vida toma sentido... Juro, eu ainda tou fora do chão, é tão bom, tão bom, tão bom...
Às vezes, a melhor ajuda vem da fonte mais improvável. Obrigada, meu Deus, por fazer de mim uma pessoa tão fácil de lidar. Obrigada.
Semana passada foi beeem corridinha. Dentre as mil e duzentas atividades que tive, fui pra Campina Grande do Sul, acompanhar umas diligências que seriam feitas na fábrica de biscoitos de um cliente do escritório.
Zeenti, que delícia! Coisa mais linda aqueles biscoitinhos cheirosos saindo do forno e passeando pela esteira... Me senti uma criança, uma daquelas que participaram do filme “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, lembram? Woopa, doopa, woopa dee dah...
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito