Sonhei que eu tinha 9 elefantes, todos eles na frente da minha casa. Um deles era macho e tinha um topetinho igual ao do Ronaldinho, só que loiro. E eles saíram pelo portão, estavam passeando pela rua, e eu chamei o macho (o nome dele, no sonho, era Luca - veje só), porque sabia que as fêmeas viriam logo atrás. E foi o que aconteceu, todos eles voltando pra casa, bonitinhos.
E no dia seguinte, sonhei que usava um anel enorme, feito de pedra azul, e por dentro tinha um desenho jateado, bem estranho, contendo 7 macacos, pra me protegerem.
Agora, me digam. Uat de fóc isso quer dizer? E não, não joguei no bicho, ainda.
Então o tema da terapia foi sobre formas de defesa.
Todos nós desenvolvemos, durante nosso crescimento, formas de nos defendermos contra ataques externos. E por ataques, vale qualquer coisa: grosseria da tia, falta de jeito de pai e mãe, briga com irmão... São formas rudimentares de defesa, bem rudimentares mesmo, porque não temos orientação.
Dessa forma, alguns se tornam extremamente tímidos. Outros ficam agressivos, atirando pra todos os lados e mordendo quem se aproxima. Outros se fazem de vítima, agindo como se fossem uns coitadinhos. Outros fogem de tudo, não assumem nenhum tipo de compromisso nem consigo nem com os outros. E assim vai.
Descobri que posso ser inacreditavelmente arrogante. É uma arrogância não intencional, percebam. Minha voz fica absolutamente sob controle, não desço do salto (nasci de salto, na realidade. É por isso que nasci de cesariana, só pode ser...) e quase não altero o semblante. Minha voz fica suave, quase simpática pra quem tá desavisado. Mas o nome disso é arrogância.
Vocês não têm idéia de como foi difícil admitir esse fato. Precisei de dois dias pensando nisso e aceitando essa faceta de mim mesma.
Ser arrogante como forma de defesa tem suas vantagens e desvantagens. Vejam que tive que achar as vantagens, pra ajudar a aceitar o fato. Uma da s vantagens é que isso me torna uma advogada classuda em audiências, quando o advogado da outra parte fica me provocando. Outra é que sempre estou de salto e mantenho o controle, enquanto o atacante vai enlouquecendo com a minha postura. Deve ser irritante pra quem tá do outro lado, tenho certeza disso.
Saber disso e aceitar esse fato, por mais contraditório que pareça, me trouxe um alívio inacreditável. Isso porque sei que é uma forma rudimentar de defesa, e que posso desenvolver outras, de gente grande. Não sei quais, nem como, mas deve haver outros modos de me defender sem necessariamente atacar o outro.
Mas uma coisa eu garanto: eu posso me tornar um nojo, uma insuportável. Não me provoquem...
Na segunda, fui fazer uma audiência em Araucária, cidade próxima de Curitiba. Fui de carona com o advogado de outro escritório, que resolveu dar uma de piloto.
O trajeto daqui até o fórum de lá, indo em velocidade boa, com um pouco de pressa, é feito em cerca de 30 minutos. O sujeitinho fez em 18. Isso mesmo, de-zoi-to. Em determinando momento, o velocímetro tava marcando mais de 180 km/h. Eu só conseguia arregalar os olhos, respirar curtinho e rezar, pedindo pra Deus me poupar porque eu era inocente, tava só de carona. Cacete, que meda. E nem era pra tanto, que coisa.
E houve o momento bizarro. Araucária é cidade pequena, comparativamente falando. O fórum é num lugar só, então a vara cível, criminal e de família são no mesmo prédio. Estávamos lá, esperando a audiência começar, quando chegaram três presos, algemados, pra audiência criminal. Um algemado nele mesmo, e os outros dois, algemados um no outro. E um policial à paisana, com o revólver preso na coxa, e a família dos presos em volta. E tinham umas crianças, que estavam acompanhando a mãe em outra audiência, olhando pros presos como se estivessem num zoológico. Uma muvuca.
Fiquei pensando na fragilidade da coisa toda, e em como seria fácil pros presos escaparem dali. Especialmente porque o policial (um só, escoltando os três) foi ao banheiro, deixando o povo todo bem à vontade. Só eu que enxergo?
Mas o melhor foi na minha audiência. A testemunha do meu cliente já havia prestado outros depoimentos, em vezes anteriores. Na ocasião, ele usava barba. Ele já é aposentado, tem uma cara bonachona, e cabelos brancos.
O juiz, engraçaralho pra cadinho, ficava chamando o sujeito de Papai Noel. E continuou chamando o homem de Papai Noel, mesmo sem a barba. Acho que ele se encheu, com razão. No fim da audiência, quando estávamos todos nos despedindo, ele apertou a mão do juiz e disse "tchau, meretríssimo". Diliça. É nesses momentos que advogar vale a pena, hohoho.
Gosto muito do que se chama de comfort food. É aquele tipo de comidinha que alimenta a alma e deixa a casa com cheiro de lar. Risoto, pra mim, é comfort food.
Ontem, quase pulei de felicidade. Consegui fazer o melhor risoto de funghi que já comi, melhor que o do Trovatta.
Vou explicar direitinho como fiz, porque risoto não é comida pra iniciantes, então não se impressione com o tamanho da receita. É que nem molho branco, que se não der atenção total enquanto estiver fazendo, empelota e não tem jeito que dê jeito.
A primeira coisa é deixar de ser canguinha. Se é pra fazer, faça direito, e não fique rateando pra comprar os ingredientes. E faça com boa vontade, porque cozinhar com amor é 70% do sabor do prato. O resto é caldo knorr e temperos.
Então. Você vai precisar do seguinte:
- 1 xícara de arroz arbóreo (nem pense em usar arroz comum. Não faça serviço porco)
- 1 bandeja de cogumelos shiitake (o shiitake é aquele cogumelo marronzinho, meio mole, muito usado na culinária japonesa. Não pesei, então vai no olho. Usei uma bandeja do tamanho daquelas de carne, de 25 x 15 cm. Eu usei cogumelos frescos, não sei como fica se usar o cogumelo seco)
- 1 bandeja de cogumelos paris (o paris é o que mais conhecemos. É aquele branquinho, que sempre usam em estrogonofes. Mesmo tamanho da bandeja anterior, também frescos. Não use aquele em conserva, que não tem gosto e parece borrachinha. O cogumelo paris é necessário pra dar uma resistência ao dente, pra você ter o que mastigar junto com o arroz. É que o shiitake fica muito macio depois de cozido, parece um pedaço de manteiga - delicioso, mas muito molinho).
- 100 g de queijo parmesão de excelente qualidade, fresco, ralado na hora (não use aqueles de pacotinho, pelo amor de Deus. Aquilo é tudo, menos parmesão ralado. Vá em uma boa panificadora, eles costumam ter pra ralar na hora pra você)
- 5 xícaras de água fervente
- 2 tabletes de caldo knorr sabor galinha
- 1 cebola bem grande, do tamanho de um punho fechado, picadinha
- 1 xícara de vinho branco (eu gosto muito de usar um vinho chamado Santo Izidro, que é especial pra culinária e é baratinho - e nem por isso deixa de ser delicioso)
- manteiga
- sal
- azeite de oliva
- óleo (de canola, ou de soja, ou de girassol. É só pra refogar a cebola)
- manjerona
- cheiro verde (salsinha e cebolinha verde, picadinhos)
- gengibre em pó ou ralado na hora (opcional)
- noz moscada em pó
- sementes de coentro em pó
- pimenta do reino (se puder, arrume um moedor de pimenta e moa na hora. Não tem comparação. Depois que você experimenta pimenta moída na hora, aquelas vendidas em mercado, já moídas, não passam de pó de telha)
Lave cuidadosamente os cogumelos, usando a ponta dos dedos pra tirar bem a terrinha que vem junto. Não use escovinha, porque destrói a camada externa de proteção dos cogumelos. Foi pra isso que Deus te deu dedinhos tão lindos.
Usando uma faca muito afiada (novamente, pra não destruir os cogumelos), corte os cogumelos shiitake em tiras não muito finas, de cerca de um centímetro. Eu não usei os cabinhos, mas nada impede que você os aproveite. Coloque-os em um escorredor de macarrão, que é pra não acumular água, e deixe de lado.
Depois, corte os cogumelos paris, com cabinhos e tudo, em tiras finas, de cerca de meio centímetro. Reserve junto com os cogumelos shitake.
Os cogumelos, uma vez lavados e cortados, começam a oxidar em contato com o ar. Então, é melhor deixar pra fazer isso meio já na hora de fazer o risoto (eu cortei os cogumelos cerca de duas horas antes). Não estranhe se os shiitake ficarem com um aspecto deprimido e se os cogumelos paris adquirirem um lindo tom rosado, enquanto esperam pra ir pra panela.
Não se impressione com o volume de cogumelos que você vai obter. Eles serão refogados, então o volume final vai ser pequeno.
Pegue uma frigideira antiaderente grande e coloque-a na maior boca do fogão. Aqueça-a em fogo alto e quando a frigideira estiver bem quente, junte cerca de três colheres de sopa de azeite de oliva. Deixe que o óleo esquente um pouco, e coloque os cogumelos na frigideira. Com uma colher de pau, vá mexendo delicadamente. Coloque cerca de uma colher rasa de chá de sal por cima. Continue mexendo com cuidado. A coisa toda vai soltar bastante água, não se assuste.
Quando isso acontecer, baixe o fogo e deixe cozinhando, até evaporar todo o líquido, e comece a preparar o risoto. Mas não esqueça os coitadinhos no fogo, dê uma mexida de vez em quando. Quando secar o líquido, desligue e deixe-os esperando.
Pegue uma panela grande e larga, com fundo grosso, e coloque-a na maior boca do fogão. Aqueça a panela e coloque um pouco de óleo, cerca de três colheres de sopa (não gosto de usar azeite de oliva pra refogar cebolas, coisa minha. Acho que fica com um sabor estranho). Junte a cebola, vá mexendo pra não grudar na panela. Vai estar bom quando elas ficarem levemente douradas.
Junte o arroz arbóreo e frite-o nesse refogado. O arroz arbóreo é especial pra risoto porque contém bastante amido. Essa fritura é pra envolver os grãos numa camada protetora, que fará com que o amido seja liberado aos poucos, tornando o risoto cremoso. Mas não frite muito, é só pra dar um tom dourado em tudo.
Agora, os líquidos serão incorporados aos poucos. A partir do momento em que você colocá-los, não pare de mexer o risoto, delicadamente, com uma colher de pau. Não acredite se te disserem que risoto não é comida pra se mexer. Tem que mexer sim, sempre, mas com cuidado, pra liberar o amido. Não coloque toda a água de uma vez só, porque vai ficar ruim. Os líquidos têm que ser colocados vagarosamente, que é pro arroz ir absorvendo gradativamente e liberando amido aos poucos, dando cremosidade.
Baixe o fogo (mas não deixe no mínimo) e junte o vinho, mexendo sempre o arroz. O vinho é necessário pra dar acidez e equilibrar os sabores do risoto.
Junte os dois tabletes de knorr, incorporando-os ao arroz.
Continue mexendo, até reduzir o líquido. A partir de agora, vá colocando a água aos poucos. A água tem que estar fervente, ou ter acabado de ferver, que é pra temperatura não baixar. Tem que ser uma xícara por vez. Coloque uma xícara, mexa sempre, com cuidado, até reduzir o líquido, e daí coloque a outra xícara. Veja que o líquido não vai desaparecer, mas vai virando um creminho. É nesse ponto que você deve incorporar a xícara seguinte.
Quando você já tiver colocado três xícaras de água, é hora de temperar o risoto. É tudo a gosto. Coloque a manjerona, o coentro (se possível, também moído na hora), a pimenta do reino, uma pitada de noz moscada, cheiro verde e gengibre.
Junte os cogumelos refogados, que até agora estavam de lado, olhando pra você com aquela cara de "e eu? e eu?".
Continue mexendo e coloque a quarta xícara de água. Normalmente, quatro xícaras são suficientes, então quando o líquido começar a baixar, prove o arroz e veja se está cozido. Se não estiver, a quinta xícara tá aí pra isso.
O cheiro da coisa toda, a essa altura, deve estar ótimo, e o risoto deve estar com um aspecto cremoso. Quando o arroz estiver cozido, junte o parmesão ralado, mexendo sempre, pra derreter.
Agora, tá tudo quase pronto. Quando o queijo derreter, coloque uma colher de sopa de manteiga, mexendo até derreter. Essa colherada serve pra dar uma textura aveludada ao seu risoto.
Risotos não podem esperar. Sirva imediatamente.
Essa quantidade de risoto como prato principal é sufde duas horas antes). Não estranhe se os shiitake ficarem com um aspecto deprimido e se os cogumelos paris adquirirem um lindo tom rosado, enquanto esperam pra ir pra panela.
Não se impressione com o volume de cogumelos que você vai obter. Eles serão ref
Amores, dois pontos. Se conselho fosse bom, a gente não dava, vendia. De qualquer forma, sou metida a pitaqueira, então vou meter meu bedelho assim mesmo.
Nunca, jamais, em hipótese alguma, cogitem a hipótese de querer dividir sua vida com alguém sem ter passado pelo teste do soninho antes.
O teste do soninho consiste em passar uma noite de sono com a pissôa em questão. Dormir junto, literalmente falando. Se o ser de quem se fala não passar no teste do soninho, se vocês não dormirem bem juntos, pule fora, que é questão de tempo pra melar tudo.
Quando for dormir junto com a pissôa, preste atenção no jeito que vocês interagem durante o sono. Se vocês se procuram de noite, se querem se encostar, se um pé quer pegar no outro, se vocês ficam de bundinha dada quando estão um de costas pro outro, se o primeiro movimento da pessoa quando você encosta nela é de aproximação, se a primeira coisa logo de manhã é um sorriso.
Se vocês passarem no teste do soninho, ótemo. Não estou vaticinando que vai dar certo, que vocês serão felizes para sempre, tal e coisa. Só estou afirmando que se o soninho compartilhado não for bom, pulem fora, não tem remédio pra isso não, infelizmente. É o primeiro indício de como serão as coisas (e aqui fala alguém que ignorou solenemente o resultado do teste do soninho por sete anos e meio).
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito