Conversando com a Anita, lembrei que, quando eu fazia vigilantes do peso, gostava de converter o peso perdido no equivalente à potinhos de margarina. Isso me ajudava a visualizar o que tinha emagrecido e valorizar quando a perda era de 200g por semana, por exemplo.
Então, nesse momento, estou olhando pra quatro potes virtuais de 500g. Ou íeis, dois quilinhos se foram.
Queridos, Dieta de Atkins consiste, basicamente, na exclusão de carboidratos da dieta, e a ingestão de proteínas e gorduras. Simplificando bem, é isso.
Dá bafão e funciona. Mas nunca comecem na TPM. Juro que salivei intensamente quando vi, no sábado, uma cena do Sex and The City em que a Carrie comia um cachorro quente. Obsceno.
Está nascendo uma nova mulher dentro de mim. Uma mulher que tem desejo de comer salada.
Estou achando fascinante. Sempre curti uma saladinha, mas nunca a ponto de ter desejo. Ontem, fui ao mercado e fui irresistivelmente atraída por um maço de agrião. É sério. Vi o agrião, ali, verdinho, fresquinho, e comecei a salivar. Isso nunca tinha acontecido.
Ao invés de sentar e esperar a vontade passar, levei o agrião comigo. Cheguei em casa, esquentei filés temperados de frango, cortei em tirinhas, piquei o agrião, temperei com pimenta do reino, azeite de oliva, sal e vinagre, misturei tudo e comi com uma felicidade inacreditável.
E hoje, pra minha surpresa, senti desejo, salivação, vontade louca de comer a chicken salad do Au-Au. Essa salada vem numa espécie de bacia (que tem capacidade de, no mínimo, um litro, juro - é praticamente um balde), e é uma delícia. Atraquei-me com ela no almoço e pastei aquilo tudo sozinha.
Estou impressionada comigo mesma. Gostei desse troço de Atkins, já se foram um quilo e meio desde segunda, sem fome e com desejo de comer salada. A vida sem carboidrato é possível.
O primeiro dia é muito complicado. Quase mordi meu pai, juro. Queria avançar nas pessoas, logo eu, que sou tão dócil. Mas eu podia morder alguém na segunda. Dá uma espécie de delirium tremens pela abstinência de carboidrato. Fora a dor de cabeça e o bafinho. Bafinho o caráio. É bafão mesmo. Viva a pasta de dente, o trident white e o halls sugar free.
Pra piorar, logo na segunda feira, primeiro dia da dieta, fui almoçar no shopping, e fui descaradamente assediada por um prato de nhoque. E recebi uma cantada grosseira de um bando de raviólis. Mas, como sou uma dama, não dei bola pra eles.
Nunca tive o hábito de ter agenda, até o ano passado. Comecei a perceber a necessidade de anotar minhas coisas em um local específico quando perdi duas consultas médicas e quando combinei duas coisas pro mesmo dia, no mesmo horário. Modos que a agenda serviu pra liberar espaço nessa HD cheia de arquivos temporários, em que havia se transformado meu cérebro.
Só que, além de anotar os compromissos e combinações, comecei a anotar pequenas coisas que aconteciam. Anotações curtas, sem desenvolver muito, pequenas notinhas, só pra constar.
Então, ontem, ao passar pra agenda nova as datas de aniversário dos meus amigos, acabei relendo a agenda, e foi maravilhoso. Vi quanta coisa tinha feito ao longo do ano, coisas que tinha até esquecido.
Vejam vocês que tinha esquecido da minha matrícula em Filosofia, na disciplina de Estética, na UFPR! Uma pequena transgressão minha e de algumas amigas (não citarei nomes...) pra conseguirmos carteirinha de estudante (bem, eu nunca disse que eu prestava). Lembrei dos filmes que vi, dos lugares que fui, das pessoas que conheci (sim, anotei até isso).
E cada notinha lida trazia pra minha mente a cena completa. Funcionou como uma tecla play, acionando o filmezinho da ocasião. Lembrei das festas, do cenário, da roupa que eu usava, das botecagens, das peças de teatro que fui ver, das idas ao cinema, do bota fora da Carolzinha, dos dois bota foras do Thales (lembram, meninas?), da bagunça que foi, das risadas que demos. De uma pessoa que entrou na minha vida e que dela saiu. De outra, que foi só uma passagem. E da terceira, que espero que continue as long as the world exists. Dos almoços com as meninas, do acantonamento com as meninas da dança, dos ensaios, da correria, dos megaensaios de fim de semana, das apresentações, dos workshops. Do início da terapia e das lições de casa que o Márcio me passou (anotações do tipo levar escultura, levar cartaz, fazer lista, levar cartão, pensar sobre tal e tal coisa...).
E, Kath, olha só o que anotei: sua gravidez foi confirmada no dia 28 de janeiro, e descobrimos que era a Alix (e não o Antônio) no dia 5 de maio. Acho que você sabe da emoção que me tomou, de novo, quando reli isso. Há um ano, nossa bichinha era um projeto, e hoje ela tá linda, no nosso colo.
Foi extremamente gratificante. E esse ano, vai ser o mesmo esquema. Quero, em 2005, me emocionar de novo, ver quanta coisa fiz no ano que passou, relembrar das pequenas alegrias do dia a dia, de tudo o que costurou quem sou hoje. Não imaginava, de verdade, o potencial de uma agenda.
Dos sete quilos que tinha mandado embora, dois voltaram pra me visitar. Que saco. Ô povinho carente.
Expliquei pra eles que não dava, que não tinha mais lugar pra eles, que eles podiam ir embora, que a porta da rua era serventia da casa. Mas os dois, desentendidos que são, fizeram que não era com eles, disseram que eles se viravam, que não eram de luxo, que dormiam no chão que não tinha problema.
Mas as providências já foram tomadas. Como diz o velho deitado, hóspede é que nem peixe, depois de três dias começa a feder.
Passei esses dias de feriado sozinha em Curitiba. Considerando que virtualmente TODAS as pessoas que conheço não estavam aqui, mas em algum outro lugar divertido, e que estávamos sob a influência de uma massa de ar polar (ó sim, o ano novo foi à 13 graus, com chuva), it sucked.
E, como vocês sabem, cabeça vazia é oficina do diabo. Na sexta, já tava subindo pelas paredes, irritada e sacuda. Então, ataquei de florais de Bach. Gentem, a coisa funciona. Deu uma equilibrada legal. Mas desconfio que tenha sido o brandy que eles usam pra conservar.
Acho que passei a maior parte do meu tempo alcoolizada. Deve ter sido isso.
Que 2004 seja pleno de alegria, amor, saúde, sexo, amigos, dinheiro, prosperidade e um monte de finais de semana emendáveis, que todo o mundo merece ser feliz nessa vida.
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito