pequenas constatações randômicas, no último dia do ano
É impressionante como chove nessa terra.
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Último dia do ano, vim pra cá pra fazer a última ronda bloguística. Estou em casa, e a biblioteca é o único lugar em que os gatos não são bem vindos. Mas o Bóris armou um escândalo na porta, queria porque queria ficar comigo. Peguei o bichinho no colo, e ficamos juntos visitando os blogs, ele aconchegado no meu braço, penduradinho, dormindo e ressonando como um gatinho feliz.
Ó sim, o amor tem quatro patas e é peludo.
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Descobri que sou uma pessoa que precisa de uma dose de loucurinha no dia a dia. Fui adoravelmente surpreendida por uma visita do Namorado, às três da madrugada de domingo pra segunda, que veio com saudades da praia pra me dar um beijo.
Eu amo esse homem.
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A curva do seu braço esquerdo, na junção com seu peito, onde minha cabeça encaixa tão bem. Ali.
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A saudade é uma dor que começa no diafragma, e vai subindo pra garganta, dando um grande nó. É assim, que eu sei.
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Meus pais são loucos. E, estranhamente, eu amo os dois.
É dura essa vidinha de advogada com prazo... Tô eu aqui, sozinha, no escritório.
E pra piorar minha situação, eles dedetizaram todo o escritório, de modos que tô eu e as baratinhas mortas. Estou num verdadeiro campo de batalha baratístico. Baratinhas de todos os tamanhos e idades, espalhadas por todo o chão, com a barriguinha pra cima. A minha sala é a única sem baratinhas (até agora, não vi nenhuma). Muito emocionante isso.
Papai do céu: ano que vem, em 2004, quero ser rica. Tá valendo?
Conversando com a Carlinha, falávamos sobre a nossa busca pelo pacote completo num relacionamento. E vamos lá, pra escrever posts, porque é pra isso que a gente vive.
O assunto começou, basicamente, porque um amigo nosso, aparentemente, se contenta com pouco. E por se contentar com pouco, não entende porque nós (ou a Carlinha, no caso, que era a interlocutora - mas me enquadro nesse perfil) buscamos num homem uma coisa mais completa, tipo assim um check list de coisas básicas que buscamos em alguém.
Esse tem sido um assunto no qual venho pensando já tem um bom tempo. E, esses dias, li nesse blog aqui, do liberal libertário libertino um texto muito instigante, chamado "as mulheres querem tudo" (é um texto em quatro partes, vale a pena ler todas elas, é ótimo), que também me cutucou.
O resumo da coisa toda, segundo ele, é que o erro das mulheres é pegar a tosqueira que é um homem e querer mudá-lo a todo custo. A gente pega o hômi e fica querendo que ele amadureça com o tempo, ficamos na esperança de que as coisas mudem e que ele, subitamente, se transforme no nosso príncipe encantado sem erros, como prêmio pelo nosso esforço em lapidar essa rocha tão dura. Mas não adianta, que com 68 anos a toalha vai continuar sendo jogada na cama, e a gente vai continuar reclamando das mesmas coisas que já não gostávamos ainda na época do namoro. Já os homens aceitam a bagaça do jeito que é. Se escolhem uma mulher que é só bunda e só serve pra cuidar da casa, eles não tentam mudá-la, aceitam o pacote do jeito que levaram pra casa. A síntese de tudo é que as mulheres sempre vão reclamar que "mas você nunca muda!". Já os homens sempre vão reclamar que "você mudou tanto".
E fiquei conjuminando o assunto, cotejando o que foi dito com minhas convicções pessoais e observação da vida como ela é, sem photoshop. E concluí que, grosso modo, é isso mesmo.
E explico: fomos criadas para sermos monogâmicas. Nem vou entrar no mérito dessa questão, nem vou me atrever a ficar conjecturando sobre as questões sociais envolvidas, nem sobre as opções pessoais que abraçamos quando somos adultas, nem mesmo sobre as MINHAS convicções pessoais. É um fato, ponto, parágrafo.
Fomos criadas para sermos mulheres de um homem só. Felizmente, a coisa mudou, e podemos ser, pelo o menos antes de casarmos, mulheres de vários homens. Conquistamos o direito de experimentar, de fazer o test drive. Em síntese, podemos provar o sapato antes de levarmos pra casa.
Só que, uma vez levando esse sapatinho pra casa, é esse e pronto. Socialmente falando, não temos o direito de termos um amante, um teúdo e manteúdo, um casinho sem importância no ambiente de trabalho, um caso com o secretário. E, quanto às "necessidades" que o maridão não dá conta, paciência, cabe-nos esperarmos um momento mais adequado, quando ele melhorar, quando ele estiver a fim, quando a pressão do trabalho e das contas tiverem dado uma folga. Pelo o menos, essa é a cartilha. Ca-la-ro que isso nunca impediu mulher alguma de fazer nada, nunca mesmo. Até porque, quando queremos enganar um homem, conseguimos. Somos boas nisso, a criatura neeem sonha com o que está acontecendo, se não quisermos que ele saiba. E, vivam os legisladores, temos a lei do divórcio.
A pressão social para sermos monogâmicas é violenta. Como disse, adquirimos o direito de sassaricarmos antes do casamento. Mas vejam, é antes do casamento, que é fim primordial de nossa condição feminina (atentem para o fato de que só estou analisando a vida como ela é, sem entrar no que EU penso sobre isso).
Tanto é verdade que basta ver a revista NOVA desse mês. Dicas sexuais, como amarrar seu homem na cama, sexo no ano novo, yadda yadda yadda. E tem, nessa mesma revista, um texto com dicas de como aproveitar a vida de solteira. Vão lá, leiam na manicure, emprestem da amiga, busquem no site, e vocês vão ver como o assunto foi exposto. Só pra vocês terem uma idéia, uma das dicas era morar sozinha. Até aí, ótemo, também quero. Mas o trecho finaliza dizendo que as noites de fim de semana que passarmos deprimidas e sozinhas, comendo pipoca e vendo televisão, servirão para valorizarmos nossa vida com o maridão. Maridão que, so far, é evento futuro e incerto. A revista da mulher moderna, liberada e sexualmente ativa, a que dá pra todo mundo e à toda hora, a que é sexy sexy sexy, vejam só, deixa claro que é só enquanto formos sol-tei-ras. Porque a vida de verdade, a vida séria, a vida completa, presume o maridão do lado.
Esse fato, somado às toneladas de histórias de contos de fadas que nos foram empurrados goela abaixo durante toda a fase de crescimento, criou essa mania nas mulheres, de querermos o príncipe encantado com o pacote completo. E acaba sendo um direito nosso, em tese, de exigir isso. Porque se é pra ficar com um só, então que não falte nada. Tem que lavar louça, cozinhar, fazer massagem nos pés, trocar a lâmpada, ser machão, ser delicado, saber ouvir, conversar, trocar o futebol com os amigos por uma tarde no shopping, sapatear e fazer crochê.
Como não conseguimos isso (quem consegue???) ficamos tentando mudar o que conseguimos. Catamos qualquer infeliz, e nos esforçamos pra dar um jeito, pra remediar o irremediável. Nós nos esquecemos que, se ele já deixava o sapato fora do lugar, não é casando que ele vai mudar. Crescemos iludidas, achando que "quando casar, sara", quando não é verdade. Quando casar, continua a mesma coisa, só que todo o dia. Se já nos irritamos quando solteiras, vamos nos irritar mais ainda quando casadas, porque vai ser todo o dia a mesma ladainha. E as discussões se resumem a "porra, você não cresce, você não muda nunca". Não, não muda. E se mudar, perde a graça. Sabemos disso, e insistimos nas escolhas erradas, insistimos em acreditar que, se formos boazinhas e valorosas e dedicadas e nos comportarmos bem, ele muda, ele vira o príncipe que sabemos que existe por trás daquele sapo.
Por outro lado, pros homens, a coisa é mais simples. Eles crescem ouvindo que tem mulher pra comer e mulher pra casar, mulher pra exposição e mulher pra tirar cria, e assim vai. Aceitam o pacotinho do jeitinho que ele se apresenta. Se ela tem um bundão e só serve pra cozinhar e limpar a casa, tá valendo. É com essa mulher que ele se casou, e não vai querer que ela mude. Se ela começar a estudar e a querer trabalhar fora, o casamento acaba, porque "porra, você mudou muito desde que te conheci". E olha só o que acontece: no namoro, somos boazinhas e alto astral e simpáticas e achamos tudo lindo, porque queremos levar esse moço pro altar (não foi o que nos ensinaram?). Quando casamos, nenhuma mentira se sustenta, porque cansa fingir ser outra pessoa. Desmontamos a casca, largamos a carapaça, e nos mostramos como somos. Não mudamos, apenas voltamos a ser nós mesmas, voltamos a ser aquela pessoa que NUNCA gostou daquele amigo babaca e NUNCA entendeu a regra do impedimento no futebol. Só que não foi com essa pessoa que o cara casou.
Mas, voltando. Justamente por se contentarem com tão pouco, com esse pequeno percentual de uma mulher, é que os homens buscam fora da relação o resto que falta. Buscando várias mulheres, eles montam o todo - e, pior, com a aprovação da sociedade. Um homem com uma amante não é mal visto, ao contrário. Já cansei de ouvir amigos do meu pai conversando entre si, e falando "nossa, não sei como você agüenta, você devia arrumar uma menina pra se distrair".
De modos que, na realidade, todos nós, não importa se somos homens ou mulheres, buscamos um ser completo. A diferença é que nós, mulheres, buscamos numa pessoa só. Os homens, por sua vez, fracionam e tentam montar um mosaico. Dos dois jeitos não dá certo.
A única maneira de dar certo, a única que me parece possível, é baixar as expectativas, em primeiro lugar. Tanto homens como mulheres têm que aceitar o fato d
Sou extremamente ritualística. Sempre fui muito ligada em simbologias, em rituais de passagem (qualquer tipo de passagem) e em comemorações de eventos especiais. Na verdade, pra mim praticamente todo o dia é dia de comemorar alguma coisa, sou facinha facinha pra festear.
Então, adoro essa época de fim de ano. Adoro a muvuca, a bagunça de fazer comida, a decoração, o agito. Até a histeria da minha mãe nessa época me soa bonitinha.
Mas o que mais me fascina é a consciência de que o ano passou. Adoro fazer o balanço do que fiz do meu tempo nesse período.
Posso dizer, com facilidade, que esse foi um ano sensacional. Terminei o ano sendo uma pessoa muito diferente daquela que existia em janeiro. Criei vergonha na cara e comecei minha terapia, com um cara que é um fenômeno. Livrei-me de muitos comportamentos que me incomodavam, finalmente prestei atenção em mim mesma e tomei pé daquilo que eu gosto e que me é importante. Pude identificar as razões do meu comportamento, entender os motivos pelos quais me sabotava (e ainda tento entender os motivos de outras sabotagens...).
Larguei da minha vida de anestesia, embora o torpor e o amortecimento ainda apareçam algumas vezes. Descobri que gosto mesmo é de advogar, que tenho vocação pra isso. E, mais importante: que tenho peito pra mudar, pra jogar tudo pro alto quanto estou infeliz. E que, hoje, sei identificar quando estou infeliz e já sinalizei a maioria dos buracos à minha volta, buracos que antes eu não via e sempre me pegavam de surpresa. Agora, há bandeirinhas amarelas mostrando que "olha, eu sou um buraco. Keep out". Consegui aterrar alguns desses buracos, e dos outros, que nem sabia que existiam, consigo sair por mim mesma.
Foi um ano em que fortaleci minhas amizades, que separei o joio do trigo e retirei da minha vida as pessoas que me incomodavam. As que não pude tirar, aprendi a evitar e a não me perturbar tanto. Aprendi que os problemas dos outros (ó só, que legal!!!) são dos outros e eu (ó só, que legal!!!) não tenho que resolver todos. Entendi que pra ajudar os outros a resolver seus problemas, eu posso oferecer carona - e oferecer carona é diferente de levar pra casa.
Tive o privilégio de ser escolhida pela Kath pra ser a dinda da Alix, tive a honra de acompanhar tudo, curtir a gravidez desde o começo, de fazer reiki na Kath e nela ainda na barriga, pegar a bichinha no colo e me emocionar com o fato de ela ter me reconhecido e aberto um sorriso assim que a peguei e ela sentiu o reiki fluindo. Pude tocar num dos grandes mistérios do universo, que é ver a vida assim tão completa e cabendo inteira num bebezinho, essa terceira pessoinha que é um blend dos melhores momentos da Kath e do Paulo, duas pessoas que amo de paixão.
E com a Pati e a Vane, pude perceber que a amizade é pra tudo (achava que só teria isso com minha irmã e com a Kath). E que a gente se basta por nós mesmas, que uma noite de sábado pode ser perfeita com nós três jogando stop e tomando sorvete. E que a amizade que é assim, verdadeira, não precisa ser preenchida com palavras, que o silêncio compartilhado é uma experiência maravilhosa.
Foi um ano que conheci o Ricardo, que me preenche como água. A porrada do começo matou a semente, que germinou e vejo florescer a cada dia. Sou feliz feliz feliz por estarmos juntos, estou num rio morno, plena, encaixadinha. Olho pra cicatriz, mas não tem dor - e não dói porque drenei o pus, cuidei pra não inflamar e tive ajuda do enfermeiro. O esqueleto se transformou em um ser citius, altius e fortius. E decidi que não quero mais cozinhar sem ser bolinada (meninas, sem lesbilove, please. Não tirem minha frase do contexto, porra).
Pela primeira vez da minha vida, coloquei-me como prioridade. Comecei esse blog, e pela primeira vez escrevo o que sinto ou penso sem censura interna (ok, talvez um pouco de censura, mas vá lá) e conheci um mooooooooooonte de gente legal. Além de todos aqueles lincados aí em cima, que têm todos o meu carinho e admiração (às vezes de forma silenciosa, porque não costumo comentar muito nos blogs alheios), pude conhecer pessoalmente a Carlinha e o Alexandre, vou (aliás, VAMOS, né, meninas?) conhecer a pessoalmente a Dani Patifa em janeiro. E volta e meia converso com o Edílson e o Betto pelo msn. Fora todas as pessoas que comentam aqui, que adoro quando aparecem.
Foi um ano que também me trouxe perdas e dores fortes, que me ajudaram a enxergar quais são, realmente, as minhas prioridades. Foi um ano em que aprendi a me forçar a olhar pra mim mesma e pro que me incomoda, ao invés de colocar a cabeça num buraco e fingir que não era comigo. Aprendi que a Perolada, antes de tudo, é uma forte.
Ano que vem, é ano de entrega. Esse é meu objetivo. Agora que já estou na trilha de uma vida inteira e não pela metade, é nesse caminho que vou seguir. Hohoho. Let's have fun.
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito