Ainda não entendi exatamente qual é a razão de ser do blog. Se fosse apenas o escrever o que penso, sinto ou observo, seria muito mais simples usar papel e lápis, ou digitar no Word (que este, pelo menos, não vive em manutenção nem expira a sessão). Desconfio com certeza que o grande barato é a interação desmedida e desavergonhada, pois olhar pro monitor no trabalho e escrever besteirinhas equivale a estar no Vox na noite de sexta e beber três gim-tônica: as palavras fluem com muuuito mais facilidade.
Pelo fato de as palavras fluírem com essa facilidade toda, a gente fala o que bem quer e acaba escrevendo coisas legais - e coisas horrívis também, porque o blog tem memória e cospe na nossa cara os arquivos antigos, fazendo com que a gente tenha vontade de desaparecer. Mas, de qualquer maneira, prevalece o fato de que o blog é meu e sou eu quem mando no barraco, se não gostou, o botão do x é a serventia da casa.
De todo modo, a gente acaba visitando e sendo visitado por pessoas bacanas que deixam comentários, e acabamos criando uma rede de contatos virtual, em que conhecemos e gostamos das pessoas pelo que elas pensam. A voz e a aparência tornam-se secundárias, são a cereja do bolo. Mas, com o tempo, a curiosidade fala mais alto e a gente tem vontade de se conhecer "de verdade", de olhar no olho e comprovar que aquelas idéias todas que a gente lê e gosta vêm de alguém que tem um corpinho.
Pra mostrar pra humanidade - a começar pelos participantes do colóquio - que maravilhas virtuais podem manter a pose e a fama na versão mundana, ontem eu, o Alexandre e a Carla nos encontramos. Descontado o desconforto do debut - e olha que não era a primeira vez de nenhum dos participantes - o resultado do evento foi espetaculoso. A comida tava ótima, o papo foi animado e ficou definitivamente provado que as pessoas dos blogs existem, e não que eles são autogerados, como já ouvi por aí.
Além de ficar claro que nós não somos frutos da cabeça doente de algum nerd, ficou provado que temos apetite. E que somos mesmo muito bacanas. E que a gente encara cada um uma lasanha, sem jogar molho na roupa. E que encararíamos a sobremesa, se nos fosse dada a tarde livre pra podermos ficar empanzinados à vontade. E que a gente pode falar sobre tudo e continuar querendo falar, que a sintonia pode passar facilmente do plano virtual pro material (e por material, quero dizer a mesa do restaurante, seu bando de pervertidos).
E ficou claro pra mim que o blog, na verdade, é mais que uma maneira de me expressar: é, na realidade, uma grande peneira. Acho que hoje em dia não temos nem muito tempo nem muito saco pra ficar selecionando amizades em mesa de boteco. Com o blog, a gente já tem à mão um monte de pessoas legais, em que a afinidade é pré-estabelecida e o encontro físico é mera continuação de um papo já iniciado em algum comentário de post. O mais legal é saber que esse povo bacana tá aqui pertinho, que a gente pode se cruzar por acaso e já sorrir, sabendo um das histórias do outro, em uma espécie de compreensão da essência que forma cada um. Essa aceitação silenciosa é que me parece ser o grande segredo da coisa toda. É mágico saber que podemos fazer amigos entre uma e outra escapada no período de trabalho, que podemos conversar tanto sem precisar vocalizar nada.
O resumo da ópera é: ter um blog é bom de-mais. Por mais que você, às vezes, se sinta comprometido com uma coisa que deveria ser brincadeira, por mais que alguma visita derrube café no seu sofá luxuoso ou te flagre com a cara amarrotada. Repito (se você não sabia, essa é uma frase recorrente minha): interação é tudo nessa vida. Com gente virtual ou de verdade; melhor ainda com quem consegue ser igual nas duas condições.
esse texto foi escrito à quatro mões (da Carla e minhas), porque o Alexandre é um folgado e tava indo pro Rio
Meus amores, tenho um monte de coisa pra contar, mas ainda não consegui sentar pra escrever (por favor, sem duplo sentido aqui, tá?). Logo logo, conto do nossoalmoço e das coisas bacanas que estou pensando e fazendo.
Meu gato Boris é um fofo. Ele acha que qualquer coisa vagamente peluda é irmãozinho. Por conta disso, não posso usar meu chinelinho com pele de coelho, porque ele lambe o tal do chinelo, querendo arrumar os pelos.
Pôs bem. Eu ganhei da Cíntia uma bruxinha com um cabelão feito de um tipo de penugem comprida, que deixo na cabeceira da cama. Ontem ele fez o favor de achar essa bruxinha e lamber os cabelos da coitadinha. Ela ficou parecendo um Cebolinha tridimensional. O duro é que aquele cabelinho nunca mais vai voltar ao normal... Eu chorava de rir.
Meu coração está implodindo e explodindo, num movimento contínuo. É assim quase um caleidoscópio. E eu estou leve e pesada, sonolenta e desperta, atenta e distraída. Preenchida e vazia. E estou viva, depois de uma pequena morte. E eu respiro e não respiro. E eu como sem comer.
Algumas pessoas não têm noção do que podem fazer com a outra... Brigada, papai do céu. De novo.
Se a uol fica fazendo propaganda do anti-pop-up, dizendo que são janelinhas chatas e coisa e tal, por que, raios, não tiram a porcaria do pop up deles???? Você abre o site do uol e salta aquele troço. Que inferno. E se instalar o anti-pop-up, dá problema nos comentários e no site do banco.
A pedido do chefinho, fui à Vara de Família na sexta à tarde, pra resolver um troço com uma cliente.
Ela ficou de vir aqui, mas o marido esqueceu de avisar. Então, ele ligou avisando do equívoco e pediu pra que eu a encontrasse no fórum. Perguntei como ela era, porque nunca a tinha visto, e ele disse "Ela é loira. Bem loira".
Então, eu já sabia que a cliente era loira e se chamava Kelly Cristina. Ótemo.
Com esses dados em mente e lá chegando, procurei uma loira que fosse bem loira. Achei uma, justo na vara que precisávamos ir. Perguntei: "você é a Kelly?" e ela: "sim!". E eu, pra confirmar: "Kelly Cristina?" e ela: "Sim!".
Eu dei até beijinho. Ficamos conversandinho, papinho básico, amenidades, e eu mencionei a falha na comunicação: "Puxa, seu marido esqueceu de te avisar, né?". Aí a bonita faz cara de "ãnn?".
Pra resumir, ela também era Kelly Cristina, também era beeem loira, mas não era a minha Kelly Cristina.
Eu quero saber quais as chances de uma coincidência dessas acontecer... Duas loiras beeem loiras, as duas Kellys Cristinas, na mesma vara, no mesmo horário. * sigh*.
Estatisticamente falando, acho que participei de um momento único na história do universo.
1. Ao abrir a embalagem, faça uma cara neutra: não se mostre muito empolgada com o produto. Se ficar muito seguro de si, o homem não funciona bem, vive dando defeito.
2. Guarde em local fresco (homem com mau cheiro não dá) e seguro (não esqueça que ele é o sexo frágil).
3. Deixe fora do alcance daquela vizinha loira e sorridente. Ela pode fazer um estrago no seu produto.
4. Para ligar, basta dar uns beijinhos no pescoço, pela manhã.
5. Para desligar, providencie uma noite de sexo. Ele dorme feito uma pedra e não diz nem boa noite (falta de educação é um defeito de fábrica).
6. Programe-o para assinar os talões de cheques sem fazer muitas perguntas.
7. Carregue as baterias três vezes por dia : café da manhã, almoço e jantar. Mais do que isso provoca pneuzinhos indesejáveis.
8. Em caso de defeito, algumas táticas costumam dar certo! : comece escondendo o controle remoto. Se a falha persistir, cancele o futebol do fim de semana e o chopp com os amigos. Mas se o problema for grave mesmo, é preciso tratamento de choque. A única solução é greve de sexo.
9. Coisas que ele sabe fazer bem (trocar lâmpada, abrir lata de palmito, vidros de azeitonas e maionese, abrir latas em geral, trocar pneu, carregar bolsa, botar pregos na parede, trocar torneiras, chuveiros e engraxar sapatos) devem ser estimuladas.
10. Atenção : homem não tem garantia e todas as espécies são sujeitas a defeitos de fábrica, como : deixar toalha molhada na cama, urinar na tampa da privada, deixá-la levantada, fazer bagunça na casa, espalhar as coisas, criticar, reclamar, exaltar-se, soltar pum em qualquer lugar, beber demais, comer cebola, esquecer datas de aniversário, roncar etc.
Não existe conserto. A solução é ir trocando até que se ache o modelo ideal, e recentes pesquisas informaram que este ainda não foi INVENTADO.
Finzinho de semana divertido esse. Passei a manhã e a tarde de sábado incrivelmente enjoada, deve ter sido brinde da viagem, só melhorei no fim da tarde.
Sábado fomos ao teatro, ver As Panteras, ao vivo e a cores. Que meda. Uma excelente idéia, só que desperdiçada. Três drags fazendo o papel das panteras. Seria ó-te-mo, se não tivesse saído patético. Mas o jantar depois apagou a má impressão da noite. Conhecem o La Pasta Gialla? Então vão conhecer, é uma delícia.
Domingão abafado, de tarde sonolenta, num cochilo compartilhado com Ed, o Mílson, e seus bigodinhos supersônicos. À noite, cineminsais, enquanto o filme é exibido no projetor. Com o som desligado, cada dupla recebe dois microfones e tem um minuto para dar realismo à cena vista na tela. Vence o melhor desempenho."
Olha só, eu não deveria contar, mas vou contar. É freak, e prova que preciso de férias regiamente remuneradas.
Sou uma pessoinha de hábitos. Tenho rituais próprios pra cada coisinha que faço, o que não me torna nenhum tipo de maníaca, of course.
Então.
Quando estou de saia e meias e vou ao banheiro, tenho por hábito descer a saia junto com a meia. Hoje, acho que num momento de ausência, desci a meia e subi a saia (ela ficou na cintura, embaixo da blusa). Já sentadinha, olhei pra baixo e cadê a saia? Fiquei em pânico, será que estava andando sem saia pelo escritório esse tempo todo, será que a saia caiu?, mas como ela tinha caído se não é de zíper?, ai meu Deus, o que eu tô fazendo?, mas cadê minha saia? ca-dê a mi-nha saia???? Depois de uns trinta segundos, que pareceram quarenta minutos, fui perceber a saia embaixo da blusa.
Douda. Douda douda douda. Estou rindo feito boba, primeiro de nervoso e agora pelo ridículo da situação. Seja uma pessoa de hábitos, e na primeira distração eles te pegam.
Lembrei-me de um diálogo bizarro desse fim de semana. Estávamos eu, a Pati, a Vane e o Málcio no restaurante.
Hora de escolher o vinho, deixamos pra quem entende: a Pati e o Málcio e o garçom. Eu e a Vane achando lindo. Daí, o garçom mostra a carta de vinhos e oferece um chadornay-merlot (sei lá se é assim que escreve).
Daí, a Vane: o que ele falou? E eu, respondendo: acho que ele disse chadornay-merlot, não tenho certeza. E a Vane: queinn? Richard Chamberlain? E eu: nãão, é chadornay-merlot, o que quer que isso represente. E ela: aaain, que lindo, moço, obrigada, pra você também!!!
Desculpem o silêncio, meus amores. Fui para Maringá, a trabalho, para uma audiência. Viajei na quarta à noite e voltei hoje de manhã.
E comprovei, mais uma vez, que Deus adora mimar a minha pissôa. Ele ainda vai me estragar, desse jeito. Vejam que delícia. Como sou confiada e tenho certeza que a vida jamais vai me sacanear, sempre que vejo uma notícia aparentemente ruim, não vou pelas aparências e espero para ver o desfecho.
Então.
Cheguei no hotel em Maringá às onze e quinze da noite de quarta. Em lá chegando, descobri que a reserva NÃO tinha sido feita. Tava tudo lotado, por conta do vestibular (parece que tinham 17 mil estudantes na cidade), e a única vaga do hotel era na suíte. E foi lá que fiquei... com direito a camona com colchãozão, tevê a cabo, frigobar e, tan tan tan tan... hidromassagem!!! Amo hidromassagem. Me lambuzei no melado: tomei três banhos. Hohoho.
A volta estava marcada pro vôo das cinco horas da tarde. Só que a audiência acabou às cinco pras cinco, de modos que impossível. O próximo vôo era às seis e meia da manhã. Pelo fato de só poder voltar na manhã seguinte, aproveitei pra conhecer a cidade (primeira vez qu em Itapoã, ao sol que arde em Itapoã, ouvindo o mar de Itapoã..."
Finzinho de semana divertido esse. Passei a manhã e a tarde de sábado incrivelmente enjoada, deve ter sido brinde da viagem, só melhorei no fim da tarde.
Sábado fomos ao teatro, ver As Panteras, ao vivo e a cores. Que meda. Uma excelente idéia, só que desperdiçada. Três drags fazendo o papel das panteras. Seria ó-te-mo, se nãha. Fomos ver O Amor Custa Caro. Delicioso, vale ver. O dono do escritório de advocacia me lembrou o ex-chefinho. Hohoho. Calzone pra arrematar.
E hoje já é segunda, com uma hora de sono roubada por conta do horário de verão. E pergunto: que verão? Tempinho besta, esse. Tá é frio, isso sim.
- não é digno acordar às quinze pras cinco da manhã. Isso não é horário de uma dama ser vista em público; - o amanhecer visto do avião é lindo demais; - a parte de viajar de avião que mais amo e adoro e fico alucinada é o exato instante em que a aeronave se desprende do solo; - as aeromoças não falam inglês. Aquilo não é inglês. É algum dialeto, mas não é inglês; - as nuvens vistas de cima parecem um grande mar dourado; - fico um pouco mareada por andar de avião. E também com sérias e fundadas dúvidas se posso usar a palavra "mareada" pra me referir a uma viagem por ar. - a gente sabe que está se aproximando de Curitiba pela concentração das nuvens. A parte mais alta e mais cinza é justamente em cima da cidade.
Finzinho de semana divertido esse. Passei a manhã e a tarde de sábado incrivelmente enjoada, deve ter sido brinde da viagem, só melhorei no fim da tarde.
Sábado fomos ao teatro, ver As Panteras, ao vivo e a cores. Que meda. Uma excelente idéia, só que desperdiçada. Três drags fazendo o papel das panteras. Seria ó-te-mo, se nãe fui pra lá). Tava quente, uma delícia. Conheci a catedral, passeei pelas ruas, fui ao shopping, vi todas as lojas, namorei os sapatos (sou fã da Imelda Marcos, lembram? Vi três sapatos que me tocaram o coração), tomei sorvete, voltei pro hotel respirando aquele verde todo.
E, embora tenha acordado às quinze pras cinco da manhã, o que foi desumano, presenciei um amanhecer inacreditável.
amo
tatinho, gosto de café, cheiro de filhote, beijo na boca, fungada no cangote, chocolate,
dormir no sol, música boa, jogar conversa fora, caipirinha de morango com vodca,
bichos de estimação que dormem no colo da gente, passear no parque, conhecer
gente nova, cozinhar, ler, lavar o cabelo, fazer maquiagem, rir muito, sabor de pimenta,
dança do ventre, feriado, sexo com qualidade, cheiro de banho, homem cheiroso,
minhas tatuagens, sapatos
odeio
pagode bundinha, gente babaca, mau humor, coração de galinha, moela, ressaca, buzina,
invasão de território, levar um cano, levantar muito cedo, ficar com a bexiga cheia,
meia desfiada, fatura de cartão de crédito, mau hálito